Dias depois de temperaturas agonizantes no continente americano, o coração da Europa é literalmente levado por enxurradas e desfaz-se na lama dos rios.

Só na Bélgica, pelo menos vinte pessoas morreram e outras vinte estão dadas como desaparecidas, segundo um balanço provisório hoje fornecido pela ministra do Interior belga, Annelies Verlinden.

Mas o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, disse temer que o balanço do número de vítimas se agrave: “Em muitos locais, a situação continua extremamente crítica”.

“Aguardamos ainda o balanço definitivo, mas pode dar-se o caso de estas inundações serem as mais catastróficas que o nosso país já viveu”, disse.

“Trata-se de circunstâncias excecionais, sem qualquer precedente no nosso país”, acrescentou, saudando a mobilização de países vizinhos para ajudar as equipas de socorro belgas.

A província de Liège, no leste do país, é a mais afetada pelas cheias e concentra a maior parte das operações de socorro.

Só os municípios de Verviers e Pepinster registaram pelo menos uma dezena de mortos.

Mas a situação mais grave está na Alemanha: mais de mil pessoas estão desaparecidas e o total de mortos está já nas 126 pessoas.

O balanço de vítimas, contudo, pode vir a aumentar depois de um número indeterminado de pessoas ter morrido ou desaparecido após um grande deslizamento de terras, que derrubou vários edifícios numa localidade próxima de Colónia, indicaram fontes locais.

Na localidade de Erfstadt-Blessem, “as casas cederam à força das águas e vários edifícios desmoronaram-se e acabaram por afundar-se nas águas”, lê-se numa declaração publicada na rede social Twitter da organização das comunas de Colónia.

Um porta-voz da organização, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP) confirmou a existência de “vários mortos”.

A imprensa local, que cita vários membros da comunidade de Erfstadt-Blessem, adianta, por outro lado, as chuvas diluvianas que estão a assolar o oeste da Alemanha originaram autênticos rios, provocando grandes inundações.

Naquela localidade, apesar de as autoridades locais terem dado o alerta para possíveis inundações, grande parte da população permaneceu em casa.

Quinta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, em visita oficial aos Estados Unidos, disse recear que só se poderá comprovar a extensão total da “catástrofe” nos próximos dias.

Trata-se já da pior catástrofe natural em território alemão desde a guerra.

Além da Bélgica e da Alemanha, as chuvas diluvianas e as consequentes cheias causaram graves danos materiais nos Países Baixos, no Luxemburgo e na Suíça.

É costume dizer que chove porque está no tempo dela; faz calor porque é altura de o fazer. Mas não é tempo de chuva, nem faz sentido este calor (não confundir com a situação em Portugal, estes dias de calor estão dentro das médias para a época, segundo o IPMA).

A humanidade anda há demasiado tempo numa guerra sobre se o clima está ou não a mudar e qual o papel da atividade humana nessas mudanças.

Os sinais de que algo está numa rápida mudança parecem ser cada vez mais evidentes: a crise climática já não é uma miragem no futuro dos nossos netos, dos nossos filhos. A crise climática é agora.

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