A visita de Lavrov, que estava a ser preparada há um ano, visava a sua participação no encerramento de uma conferência sobre a parceria científica e educacional 2018-2020 entre os dois países, e foi confirmada em 11 de agosto.

Além dessa participação, o chefe da diplomacia russa devia reunir-se ainda com o seu homólogo alemão, Heiko Maas.

“Em 3 de setembro, o lado alemão relatou mudanças na agenda de Heiko Maas, pelo que a sua participação na cerimónia foi cancelada, ficando apenas alocada uma hora e meia para as negociações bilaterais”, explicou o Ministério, num comunicado.

Por esta razão, o objetivo “inicial e fundamental” da viagem de Lavrov perdeu a validade e o formato das negociações bilaterais foi “bastante abreviado”, pelo que a diplomacia russa decidiu cancelar a visita.

O cancelamento reflete a forma como o envenenamento de Navalni afetou as relações já deterioradas entre Moscovo e a Europa, após Berlim informar que o opositor russo foi envenenado por um agente tóxico do grupo Novichok, apesar dos desmentidos do Governo russo sobre qualquer envolvimento nesse caso.

Além disso, Lavrov cancelou sua visita à Alemanha depois de Berlim ter informado que laboratórios na Suécia e na França também confirmaram traços de Novichok na análise feita ao líder da oposição ao Presidente Vladimir Putin.

“Sobre esta situação, acredito que os nossos parceiros ocidentais ultrapassaram todas as margens da decência e da racionalidade”, disse o chefe da diplomacia russa, numa entrevista ao canal de televisão de língua russa RTVI.

De acordo com Lavrov, “se o caso Navalni não tivesse acontecido, eles (os europeus ocidentais) teriam inventado outra coisa como desculpa para aplicar sanções adicionais contra a Rússia”.

Enquanto isso, o Presidente Putin classificou hoje as acusações contra a Rússia de “infundadas”, durante uma conversa telefónica com o Presidente francês, Emmanuel Macron, depois de este ter exigido esclarecimentos sem demora sobre “as circunstâncias e responsabilidades” na tentativa de assassinato de Navalni.

Em 20 de agosto, Navalni desmaiou durante um voo da Sibéria para Moscovo, forçando uma aterragem de emergência na cidade de Omsk, onde recebeu tratamento num hospital local.

Os médicos russos que o trataram alegaram não ter encontrado vestígios de envenenamento e atribuíram a sua condição a problemas de metabolismo.

Dois dias depois, a pedido da família e dos seus colaboradores, Navalni foi transferido para Berlim, onde lhe foi diagnosticado um estado de envenenamento, estando agora em tratamento no hospital universitário Charité, tendo recentemente saído do coma induzido em que se encontrava, mostrando sinais de recuperação.

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