“Estamos a travar uma guerra e não estamos ainda a ganhá-la. E trata-se de uma guerra em que o que está em causa é nem mais nem menos que a sobrevivência das democracias e das sociedades abertas. Se perdermos esta guerra, não se trata apenas de um jornal ganhar o lugar a outro, ou de um blogue superar outro. É uma guerra crucial para o futuro das democracias”, alertou o jornalista, escritor e professor.

Intervindo numa conferência sobre o combate à desinformação em linha, organizada pela Comissão Europeia, Riotta manteve a sua intervenção num tom bélico para ilustrar a complexidade de uma “guerra” que considerou ter as características de “guerrilha”, e daí exigir uma estratégia em conformidade.

“É uma guerrilha: não há um inimigo visível, somos atacados por «bolsas» de inimigos, e quando nos focamos numa, aparecem outras. Por isso, temos que combater com ordem, com paciência, com método, e sempre com um só objetivo em mente: salvar a democracia”, defendeu.

De acordo com este especialista em desinformação na era digital, um dos erros que ainda se cometem nesta “guerra” é desvalorizar a magnitude dos ataques de que as democracias estão a ser alvo, e a sua origem.

“A desinformação está a ser produzida numa escala industrial, por vezes por Estados, e é distribuída com o objetivo de atingir democracias. Não é um fenómeno natural, não se trata de um vírus para o qual se pode encontrar um antídoto. As ‘fake news’ são um sintoma, não a doença”, argumentou.

De acordo com este professor universitário, para combater a desinformação é necessário “recorrer a todas as armas, tecnológicas e humanas”, e não esquecer — e até mesmo respeitar — o público vulnerável às notícias falsas.

“Temos que compreender melhor as «tribos» que acreditam nas notícias falsas e que as partilham. Não devemos respeitar os líderes, agências, plataformas que criam notícias falsas, mas devemos respeitar as suas vítimas, as que ‘mordem o anzol'”, considerou.

Nesse sentido, considerou que uma das principais armas para travar a “guerra à desinformação” é a consciencialização.

“Temos que incutir confiança nas pessoas que não confiam em nós e consciencializá-las para o apuramento dos factos e da verdade”, uma “batalha” que admitiu ser complexa, mas urgente.

A conferência de hoje tem lugar a pouco mais de quatro meses das eleições europeias (23 a 26 de maio), que a União Europeia está apostada em proteger de tentativas de influência externa através do fenómeno da desinformação.

Nesse sentido estão em curso negociações entre as instituições da UE, com base num Plano de Ação proposto pela Comissão, para a adoção de medidas, algumas das quais com caráter de urgência, para estarem operacionais muito em breve.

Entre as medidas propostas, conta-se um sistema específico de alerta rápido, que visa facilitar a partilha de dados e a análise de campanhas de desinformação e a sua sinalização em tempo real, e que deve ser ativado em março de 2019, na perspetiva das eleições europeias de maio.

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