No fim de uma visita a uma unidade da missão de formação militar da União Europeia (UETM) no distrito da Katembe, na parte sul da baía de Maputo, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que se deve dar continuidade a este projeto, que está a ter "resultados tão qualificados, tão excecionais".

"Vale a pena continuar. Vale a pena conseguir ter para muito breve alguns dos equipamentos que demoram mais tempo a aprovar a nível europeu", afirmou, acrescentando que "já foi aprovada uma primeira fatia de equipamento", que deverá chegar "nas próximas semanas, um mês, um mês e meio".

"E depois está já em programação um hospital de campanha", adiantou o chefe de Estado, que realçou como "tudo isso é fundamental para ser possível no terreno intervir, nomeadamente em Cabo Delgado, com a eficácia que as forças armadas moçambicanas têm mostrado".

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que "Portugal está intimamente ligado" a esta missão de formação militar da União Europeia, impulsionada pela presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2021, "por causa da situação em Cabo Delgado", e criada logo a seguir, em julho desse ano.

Como Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armada Portuguesas, manifestou-se "muito, muito honrado pela intervenção da União Europeia, e em particular a intervenção portuguesa, muito qualificada e muito eficaz".

A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, tem sido aterrorizada desde 2017 por atos de violência por grupos armados, tendo alguns ataques sido reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Marcelo Rebelo de Sousa assegurou que Cabo Delgado "vai continuar a ser uma prioridade", para Portugal e manifestou-se convicto de que o mesmo acontecerá com a União Europeia e de que a comunidade internacional "não vai esquecer" o assunto.

Segundo o chefe de Estado, "uma coisa foi a fase do terrorismo, que foi subindo, subindo, subindo, subindo, sem a preparação da capacidade de resposta perante aquilo que ultrapassou em intensidade o que muitos tinham pensado", mas agora está-se "numa nova fase", em que "a capacidade de resposta começou a manifestar-se e que deve ter como grandes protagonistas as forças armadas moçambicanas".

"Estamos em Moçambique, há soberania moçambicana, e aqui a ideia é preparar as forças armadas moçambicanas para ter um papel central no futuro", frisou.

O Presidente da República assistiu a uma demonstração tática no centro da EUTM na Katembe, onde há o treino de fuzileiros moçambicanos, "a cargo de Armada e Exército, mas sobretudo Armada", mencionou.

"Saio daqui muito grato e muito feliz porque os objetivos estão a ser cumpridos", disse.

No domingo, Marcelo Rebelo de Sousa irá a outro centro de treino da missão da União Europeia, no Chimoio, província de Manica, onde verá "o treino dos comandos a cargo do Exército".

Antes, também na Katembe, o chefe de Estado visitou a Escola de Fuzileiros Navais, onde há um projeto de cooperação bilateral "já antiga, que vem do início dos anos 90, 1994", para a formação de praças fuzileiros moçambicanos, e que no seu entender "correu muitíssimo bem, curso sobre curso".

Marcelo Rebelo de Sousa chegou na quinta-feira a Moçambique para uma visita oficial de quatro dias, a terceira que realiza a este país desde que assumiu a chefia do Estado.

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