O trocadilho “Cocks Not Glocks” ["pénis, não armas"] é intencional, provocativo e conseguiu alcançar o que a criadora do movimento pretendia: visibilidade para “combater o absurdo com o absurdo”. O protesto visa contestar a lei que permite, a maiores de 21 anos e com licença de porte de arma, andar com armas de fogo no campus da universidade. 

No dia 1 junho de 2015, o governador republicano do Texas Greg Abbott assinou a lei que permite andar - a maiores de 21 anos e com licença - com armas no campus, desde que não estejam à vista.

A lei entrou em vigor a 1 de agosto, no dia em que se cumpriam 50 anos desde o massacre que ocorreu na Universidade do Texas, em 1966, quando Charles Whitman matou 17 pessoas e feriu mais de 30, de acordo com o The Guardian. As aulas começaram a 24 de agosto e, portanto, os protestos. Nessa quarta-feira, centenas de alunos se reuniram para ir buscar os dildos distribuídos gratuitamente pelo movimento, conta o jornal britânico.

A lei, em vigor no Texas, só contempla universidades públicas. Às privadas pede-se bom senso e descrição.

A criação do Movimento "Cocks Not Glocks"

As primeiras convocatórias foram feitas pelo Facebook em outubro do ano passado. E o que começou como uma brincadeira trasnformou-se numa sátira e, depois, num protesto. A criadora do evento, Jessica Jin, de 24 anos, pediu aos colegas que andassem pela universidade acompanhados de dildos em protesto contra a lei.

“[Originalmente] Foi só um comentário rude da minha parte, mas apercebi-me que muitos se identificavam [com este posicionamento]”, disse Jin ao Observer.

Já tinham sido feitos esforços para travar a lei. Três professores da Universidade do Texas avançaram com uma ação judicial, em julho, contra a universidade e o procurador-geral. Os docentes alegam que as armas dentro dos “campus” não permitem discutir abertamente nas aulas porque os estudantes têm medo de represálias, sobretudo em temas sensíveis como os direitos homossexuais e o aborto. A ação foi indeferida

"Temos leis malucas por aqui, mas esta é de longe a maior. Podes trazer legalmente uma arma para dentro do campus, mas não podes trazer um dildo. Estamos só a tentar combater o absurdo com o absurdo”, diz Rosie Zander, de 20 anos, que estuda História, ao The Guardian.

Foram distribuídos pelo movimento neste início de ano escolar perto de 5000 dildos, e os estudantes são convidados a andar com eles bem visíveis, ainda que se arrisquem a pagar multas.

“Nós queríamos algo engraçado com que as pessoas se pudessem identificar, porque é complicado envolver os jovens da nossa idade num processo político”, explicou Zander.

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