Amanda Berry, afro-americana de 34 anos, diz que ficou uma “Rambo” face a todas as dificuldades que enfrenta e perante as “pirâmides de besteiras” que encontra em todo o lado quando procura ajuda, incluindo organizações contra a pobreza e programas de "empoderamento" para mais necessitados.

Saiu há mais de dois anos do Estado de Indiana, forçada, por ter perdido a casa social onde morava com os dois filhos. Sozinha, veio para Washington à procura de oportunidades ou de ajuda, mas, com o passar do tempo, não conseguiu a solidariedade nem do Governo nem de organizações especializadas.

“Sei que parece um bocado louco e estou a falar da minha situação de sem-abrigo, mas fui a tantas organizações na cidade que não há razão para eu estar sem-abrigo”, disse Amanda, sentada no chão da estação Union Station, com um computador portátil e uma única mala, essa também para o portátil.

“Eu estudava, antes de deixar Indiana, essa é a parte pior (…) Eu estava ok. Eu não uso droga, não sou prostituta, não há nada de errado comigo para além do ‘stress’. Não entendo onde querem chegar”, sublinha a mulher de 34 anos.

Amanda sustenta que o Estado recusa devolver-lhe 15 mil dólares dos impostos que pagou durante anos e pede indemnização por lhe terem tirado a habitação.

“Mesmo sendo casa social, não sendo a minha casa, eu estava a trabalhar para algo e os meus filhos tinham um futuro comigo, que vocês tiraram”, partilha, revoltada e numa voz forte, referindo-se ao Governo norte-americano.

A afro-americana diz que não tem esperanças, mesmo com a mudança de administração na quarta-feira, quando termina o mandato de quatro anos de Donald Trump, do partido Republicano e começa o de Joe Biden, uma grande figura do partido Democrata, duas pessoas que defendem ideais totalmente opostos, incluindo sobre segurança social, sistema de impostos ou acesso a cuidados de saúde.

“Obama estava na Casa Branca quando me ‘atacaram’ pela primeira vez. Não tenho muitas esperanças”, reflete Amanda, queixando-se de ter sido vítima de “ataques e abusos sistemáticos” do sistema social dos Estados Unidos, quando já não tinha possibilidades de pagar as contas para as condições básicas de vida.

Segundo Amanda, a causa para as suas dificuldades e situação prolongada de sem-abrigo “não é só o sistema, mas são as pessoas que trabalham para o sistema, que escolhem quem querem ajudar”: “Sinto que algumas coisas que eles fazem são para atrapalhar alguns, enquanto a outros deixam passar”.

Amanda sublinha que não entende os motivos: “Porquê tanta rejeição, porquê o uso de tanta força? Porquê todo o ‘não recebo ajuda’ em organizações cujos ‘sites’ dizem claramente que esse é o objetivo?”.

Joe Biden, que vai ser empossado na quarta-feira, numa cerimónia fechada e com grande parte da cidade de Washington também fechada, sob a proteção de 25 mil militares, por receios de terrorismo doméstico e de violência, foi vice-presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, precisamente na presidência de Barack Obama, primeiro afro-americano da história a chegar ao posto político máximo dos EUA.

*Por Elena Lentza, da Agência Lusa

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