Elias Musakwa figura na lista divulgada na segunda-feira pelas autoridades do Zimbabué com os nomes dos que recusaram repatriar os capitais saídos ilegalmente do país durante a vigência do regime do ex-Presidente zimbabueano Robert Mugabe, que incluem sobretudo empresas mineiras e empresários chineses.

Segundo as autoridades zimbabueanas, Musakwa consta de uma lista de 1.403 pessoas e empresas que “recusaram, ignoraram ou negligenciaram” a oportunidade dada pelo Presidente Emmerson Mnangagwa, que, em dezembro, logo após tomar posse, deu um prazo de três meses para quem transferisse para o Zimbabué o dinheiro das contas no estrangeiro, enquadrado por uma amnistia, cujo prazo terminou na segunda-feira.

Segundo Mnangagwa, há 1.400 milhões de dólares (1.140 milhões de euros) que saíram ilegalmente do país, tendo, com a amnistia, sido “recuperados ou transferidos” 521 milhões de dólares (424 milhões de euros).

Os sítios Bulawayo24 e New Zimbabwe indicam hoje que Musakwa adquiriu a mais importante empresa do setor da música do país, a Ngaavongwe Records, antiga Gramma Records, em conjunto com o entretanto falecido empresário Josiah Tungamirai, e é proprietário também dos Mosi-a-Tunya Studios, Shed Shed Studios e da Empresa Musical do Zimbabué, constituindo assim um “império” neste domínio.

O cantor é também candidato às legislativas deste ano nas listas do partido no poder, a União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF).

No passado, Musakwa trabalhou no Banco do Zimbabué, com a imprensa zimbabueana a especular com a ideia de o cantor e empresário ter aproveitado os conhecimentos internos para enviar o dinheiro para o estrangeiro – não é adiantado o nome do banco português - durante o regime de Mugabe.

O passo seguinte é obrigar os prevaricadores a responder e, se necessário, levá-los à justiça por transferências ilegais de dinheiro, sublinhou Mnangagwa na segunda-feira, depois de divulgada a lista.

“Não me resta senão nomear, desonrar e perseguir na justiça os que não responderam à amnistia, uma vez que não ligaram à importância da necessidade da boa governação e falharam com as obrigações legais de cidadania”, afirmou o presidente, no poder desde novembro, após Mugabe ter sido, no mesmo mês, obrigado a renunciar.

As companhias mineiras são os principais prevaricadores, segundo a lista, em que figuram empresas como a African Associated Mines (enviou para o estrangeiro 62 milhões de dólares) e a diamantífera Marange, uma parceria entre o Governo zimbabueano e investidores chineses (54,2 milhões de dólares).

A lista integra também um grande número de empresários chineses e de personalidades zimbabueanas, bem como de instituições, como o Gabinete Nacional de Indiginização, entidade encarregada da aplicação de uma controversa lei que visa obrigar as empresas estrangeiras a ceder a maioria das ações a investidores locais.

O objetivo da amnistia visa trazer de volta a grande quantidade de dinheiro ao país, mergulhado numa grave crise económica e financeira, caracterizada, entre outras razões, por uma taxa de desemprego de mais de 90% e por falta de liquidez.

No Zimbabué, lembrou recentemente Mnangagwa, o envio de capitais para o estrangeiro constitui “um crime económico contra o povo zimbabueano”.

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