O gabinete do vice-presidente e vereador de Educação de Antuérpia, Claude Marinower, indicou à Lusa que as alegadas agressões, em dois incidentes distintos, ocorreram na última terça-feira, 25 de abril, o primeiro dos quais quando o grupo, formado por 20 estudantes entre os 16 e 18 anos, acompanhados por quatro professores, regressavam ao seu hotel, na Praça dos Restauradores.

Contactada pela agência Lusa, a PSP referiu que foi aberto, pela direção nacional, um processo de averiguações para apurar o que se passou.

O subcomissário Hugo Abreu, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, adiantou que o processo de averiguações visa não só os agentes envolvidos, como também a situação em que ocorreram os factos.

De acordo com o gabinete do vereador de Antuérpia, o grupo foi abordado por “diversos agentes policiais”, tendo seis estudantes sido “encostados contra a parede de uma forma bastante brutal e humilhante” e alvo de “pontapés nas pernas e no peito”, tendo um aluno fraturado mesmo um braço.

“Os agentes estavam aos gritos, em português, que os estudantes não compreendiam. Eles tentaram explicar que eram turistas e que não entendiam português, mas tal pareceu estimular os agentes a terem um comportamento ainda mais agressivo. Mesmo as tentativas dos professores de acalmar os agentes revelaram-se infrutíferas”, alegam.

Segundo as autoridades de Antuérpia, no final, os agentes levaram um estudante para a esquadra, tendo o jovem afirmado que não houve qualquer interrogatório nem justificações para a sua detenção.

“Devido à falta de provas – de quê não sabemos, pois desconhecemos o que é que eles procuravam – os agentes levaram-no de volta para o hotel. Tratava-se do aluno que teve um braço partido por um dos agentes da polícia”, indicam, acrescentando que “os agentes nunca deram explicações para a sua atuação”.

Ainda na terça-feira, mas à noite, “após terem ido tomar uma bebida, os estudantes foram de novo atacados”, argumentam as autoridades escolares.

“Ao regressarem ao seu hotel de táxi, pois tinham de estar de regresso até à meia-noite, quatro carros da polícia aproximaram-se do táxi, e os alunos e o condutor foram brutalmente forçados a sair do veículo. Uma vez mais, revistaram os alunos de forma extremamente brutal, com pontapés no rosto, na cabeça, etc, tudo isto enquanto eram encostados contra a parede como se fossem criminosos”, contam.

Este novo incidente “durou cerca de hora e meia”, garantindo as autoridades escolares que “os alunos não protestaram e apenas pediram um documento legal que confirmasse o que tinha ocorrido, mas os agentes riram-se e acabaram os deixar”, tendo o condutor de táxi conduzido então os estudantes para o hotel.

“Na quarta-feira (26 de abril) a escola tentou apresentar uma queixa mas nenhuma esquadra os ajudou. Apenas depois da intervenção da embaixada da Bélgica é que o conseguiram”, acusam ainda.

Face aos alegados factos, o vice-presidente da câmara de Antuérpia com o pelouro da Educação solicitou ao ministério belga dos Negócios Estrangeiros e à embaixada de Portugal em Bruxelas que insistam numa “investigação aprofundada”.

“Os alunos e professores, os pais e a escola estão traumatizadas pelos acontecimentos”, concluem.

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