As mesas espalhadas pelas faculdades e departamentos da Universidade de Coimbra vão estar abertas entre as 10:30 e as 18:30, sendo que a votação decorre também entre as 19:30 e as 00:00 na sala de estudo da Associação Académica de Coimbra, num referendo organizado pela Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF), que propôs a abolição da garraiada.

A decisão de propor a abolição da garraiada surge depois de, em 2016, a garraiada ter sofrido algumas alterações (foi retirada a lide do novilho a pé e a cavalo), face a protestos e discussão no seio da academia contra a realização do evento.

Para o presidente da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC), Alexandre Amado, "não faz sentido hoje perpetuar uma tradição dessas, assente em práticas que desrespeitam a dignidade dos animais".

"A AAC sempre valorizou a tradição, mas sempre entendeu conseguir mudá-la quando estava mal. É uma tradição que não está adequada ao nosso tempo e não me parece que seja um cartão-de-visita positivo. A garraiada não tem em consideração o bem-estar animal", disse à agência Lusa Alexandre Amado, frisando que esta é a sua posição pessoal, sendo que a direção-geral da AAC "entendeu que, institucionalmente, não faria sentido interferir".

Alexandre Amado aponta também para um "argumento lateral", que é a questão financeira: "A garraiada tem causado um prejuízo significativo de 20 a 30 mil euros por festa".

O dux do Conselho de Veteranos, João Luís Jesus, referiu que também o órgão que lidera optou por não tomar uma posição antes do referendo, recusando-se a divulgar a sua posição pessoal sobre a matéria.

"A posição pessoal será tomada no boletim de voto", respondeu.

Nas redes sociais, têm surgido páginas a defender posições a favor e contra a garraiada.

Uma, intitulada "Coimbra dos Estudantes", defende a manutenção da garraiada, alegando que o evento "não causa danos nos animais".

A garraiada "é uma brincadeira com saltos e pegas", afirma a página, sublinhando que estão em causa "valores" pelos quais "tantos se bateram na história da Universidade de Coimbra".

Por outro lado, o movimento Queima das Farpas apela há largos anos pela abolição da garraiada da Queima das Fitas.

"Qualquer tradição merece ser encarada com espírito crítico e avaliada à luz dos conhecimentos de hoje e não dos que lhe deram origem. Deste modo, sempre estranhámos que na academia coimbrã persistisse a mancha tauromáquica. Principalmente quando percebemos que a mesma tem sido sustentada pelo argumento da tradição - que por si só é completamente vazio, não se sustenta sem outros motivos", defende o movimento, que diz que a garraiada não é mais do que um "exercício de violência gratuita contra animais".

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