Em comunicado enviado à Lusa, a Universidade do Minho (UMinho) explica aqueles "pequeníssimos vermes do solo e da água são muito resistentes, alguns parasitam animais e plantas, ajudam a controlar populações e têm o "superpoder" de adaptar-se a todo o tipo de ambientes e habitats".

Segundo a equipa internacional, que inclui Sofia Costa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho, envolvendo mais de 70 cientistas em 57 países e Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça,"a distribuição terrestre daqueles animais é, ao contrário dos animais à superfície, mais frequente nas regiões subárticas (38%) - a sul do Ártico, cobrindo a maioria do Alasca, Canadá, Islândia, Sibéria e norte da Escandinávia - do que nas regiões temperadas (24%) e nas tropicais (21%)".

A UMinho realça que aqueles "animais microscópicos têm uma diversidade de funções e intervêm em processos-chave nos ecossistemas terrestres", sendo que "a sua atividade determina a proporção de carbono sequestrada na matéria orgânica e nos organismos do solo, além da que é emitida como dióxido de carbono".

A investigadora Sofia Costa salienta que "este estudo à escala global na Nature acrescenta conhecimentos sobre o papel da atividade biológica no solo ao nível dos ciclos de carbono e nutrientes do planeta, permitindo definir melhor as previsões dos modelos de alterações globais".

Entre as conclusões do estudo está o facto de "estes pequenos seres vivos convertem-se em bioindicadores ambientais ímpares".

"A análise das proporções de nematodes de vários tipos num dado local permite, por exemplo, perceber se este está poluído, adubado em demasia ou se, por outro lado, mantém boas condições para a atividade biológica e para o crescimento das plantas", lê-se.

A investigadora portuguesa disponibilizou para este estudo dados sobre comunidades de nematodes do solo em vários pontos de Portugal, que foram "alvo de análise, identificação e classificação funcional em laboratório".

A sua equipa tem em curso dois projetos apoiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que visam explorar os parasitas do tomateiro e da batateira, com vista a desenvolver estratégias de gestão sustentável daqueles nematodes.

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