Muitas das 198 fotografias selecionadas mostram lesões ou contusões pouco graves, sem semelhança com as fotos da prisão iraquiana de Abu Ghraib, divulgadas pela imprensa em 2004, que causaram um escândalo internacional e levaram à condenação de soldados americanos.

As fotos divulgadas ontem preservam a identidade dos detentos e há pouco ou nenhum contexto que indique como foram feridos. A divulgação das fotografias acontece após um pedido da Associação de Defesa das Liberdades Civis (ACLU) feito em 2004 à justiça, reivindicando o respeito a uma lei de liberdade de informação para a divulgação de duas mil fotos.

Após anos de recusa, o atual secretário de Defesa americano, Ashton Carter, decidiu levantar, em novembro passado, o veto a 198 destas imagens. A ACLU criticou que as autoridades tenham divulgado poucas fotografias. "Estas imagens selecionadas podem induzir o público ao erro em relação à verdadeira dimensão dos abusos", disse Jameel Jaffer, vice-diretor de assuntos jurídicos da ONG.

"As imagens ilustram apenas uma pequena parte da tortura aplicada pelo governo americano", assinalou Naureen Shah, da Amnistia Internacional, num comunicado. Pelo menos um membro do serviço foi condenado à prisão perpétua como resultado das investigações dos factos registados nas fotos, informou o Pentágono, sem dar detalhes.

"Estas fotos são resultado de investigações criminais independentes de acusações de má conduta envolvendo americanos", disse um porta-voz do Departamento de Defesa. "As investigações confirmaram 14 das acusações, enquanto 42 não foram confirmadas." Segundo a fonte, 65 efetivos receberam alguma forma de punição, desde repreensão até prisão perpétua.

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