Onze pessoas morreram e seis ficaram feridas no tiroteio de hoje numa sinagoga em Pittsburgh, nos Estados Unidos, segundo o balanço oficial das autoridades. "Onze pessoas morreram no tiroteio", disse o diretor da segurança pública de Pittsburgh, Wendell Hissrich, em conferência de imprensa, precisando que, entre as vítimas mortais, não se encontra nenhuma criança.

"Houve ainda mais seis pessoas feridas, incluindo quatro polícias", prosseguiu.

A polícia identificou o atirador da sinagoga como sendo Robert Bowers, de 46 anos, adiantando que o suspeito, que se encontra detido, não estava referenciado pelas autoridades.

Bob Jones, agente do FBI de Pittsburgh responsável pela investigação, disse acreditar que Robert Bowers agiu sozinho, mas os motivos do atirador são ainda desconhecidos. Jones descreveu o local do tiroteio como "a cena mais horrífica" que presenciou em 22 anos no FBI.

O homem disparou sobre os participantes numa cerimónia de atribuição de nome a um bebé, na manhã de hoje, na sinagoga da congregação "Tree of Life", em Pittsburgh.

O ataque foi condenado por várias organizações hebraicas, pela Administração norte-americana, pelo primeiro-ministro de Israel e pela chanceler alemã, Angela Merkel, que denunciou o "cego ódio antissemita".

"Todos nos devemos levantar com determinação contra o antissemitismo. Em todo o lado", disse Angela Merkel, numa breve declaração difundida através da rede social Twitter.

O ataque aconteceu, segundo a Reuters, quando um "homem branco de barba e grande porte" entrou no edifício da sinagoga e gritou "todos os judeus têm de morrer" antes de disparar. Os primeiros agentes a chegar ao local terão sido recebidos com tiros, tendo quatro ficado feridos.

O ataque está a ser tratado como um crime de ódio e a investigação entregue ao FBI. "É uma imagem horrífica", afirmou o diretor de segurança pública de Pittsburgh, Wendell Hissrich, ao referir-se ao que tinha encontrado no local do crime. "Uma das piores que já vi. E já vi alguns acidentes de avião".

Jeff Sessions:"algumas acusações poderão conduzir à pena de morte"

O Procurador-geral norte-americano, Jeff Sessions, anunciou, entretanto, a intenção de acusar o suspeito, entre outros, de crimes de ódio e antissemitismo, punidos nos Estados Unidos com pena de morte.

O suspeito será alvo de uma acusação federal e "algumas acusações poderão conduzir à pena de morte", disse Jeff Sessions num comunicado em que denuncia o crime como "extremamente repugnante".

O Presidente dos EUA, Donald Trump, já reagiu a este ataque, dizendo ser "mais devastador do que se podia imaginar" e resultado "desta coisa terrível que tem sido o ódio no nosso país". Contudo, prestes a embarcar no Air Force One, Trump considerou que o desenlace do ataque teria sido outro se a sinagoga tivesse um guarda armado, já que "eles não tinham qualquer proteção", recusando ligar o caso à contínua discussão sobre a legalidade do porte de arma no país.

O líder dos EUA fez ainda questão de mencionar que era necessário "endurecer" as leis da pena de morte do país, apontando que autores de crimes como este "devem pagar o preço".

Já o democrata Tom Wolf, governador da Pensilvânia, caracterizou este ataque como uma "absoluta tragédia" e ligou-o à liberalização das armas de fogo no país, salientando que "temos andado a dizer 'desta vez foi demais' há demasiado tempo. As armas estão a colocar os nossos cidadãos em perigo".

De Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, expressou neste sábado solidariedade às vítimas de um "horrível ataque antissemita"."Nós solidarizamo-nos com a comunidade judaica em Pittsburgh e solidarizamos-nos com o povo americano diante desta terrível violência antissemita", disse Netanyahu num vídeo postado em sua conta no Twitter.

A violência do ataque e os seus contornos também já levaram à reação de várias figuras religiosas judaicas. Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Anti-Difamação, rotulou este ataque como “anti-semita", ao passo que Ronald S. Lauder, presidente do Congresso Mundial Judaico, caracterizou-o como "um ataque não só à comunidade judaica, como também a toda a América".

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