"Nenhuma potência sozinha pode garantir a paz e a democracia", sublinhou o Presidente da República Helénica, Prokopios Pavlopoulos, que iniciou hoje em Coimbra uma visita de Estado a Portugal.

Dessa forma, os Estados Unidos, caso estejam sozinhos, "não podem desempenhar" o seu papel no mundo, notou Prokopios Pavlopoulos, que falava numa conferência de imprensa na Biblioteca Joanina, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao seu lado.

"Para que os Estados Unidos da América desempenhem o seu papel precisam da Europa, de toda a Europa", frisou, considerando que o papel do velho continente é muito importante "a nível mundial".

Segundo o chefe de Estado grego, "sem a Europa, a paz e a democracia não se podem consolidar".

"A Europa é o berço da civilização ocidental e da democracia. Sem ela, não podemos ter o equilíbrio mundial que é essencial", realçou.

Prokopios Pavlopoulos encara 2017 como um "ano crucial para a Europa", que tem de repensar "o papel" a desempenhar.

"Devemos dizer a todos que, em caso algum, nenhuma potência se pode sentir segura estando sozinha", rematou o presidente helénico.

Austeridade na Europa

O presidente grego alegou assertivamente que o projeto europeu está ameaçado, devido à crise económica, que também se deve à política de austeridade, que “tem de ser mudada”.

“Os nossos países passaram e passam por momentos bastante difíceis, isto por uma política económica de austeridade que criou muitos problemas para a coesão dos nossos países”, sustentou.

Esta política “específica da austeridade criou grandes problemas em toda a União Europeia”, que conjugada com “a crise dos refugiados” (também devida à “falta de solidariedade de alguns dos nossos parceiros”), cria “problemas existenciais para a Europa e para a sua coesão”.

A política de “austeridade específica”, que tem “muitos efeitos secundários”, tem de mudar “o mais depressa possível”, defendeu Prokopios Pavlopoulos, sublinhando que ela “faz aumentar a dívida pública, acentua as desigualdades, aumenta o desemprego, sobretudo dos jovens, e atinge e fere literalmente os alicerces do Estado Social”.

“Não podemos ter apenas uma política de défice”, apelou, insistindo que “essa política tem de acabar” e que é necessária “uma política de crescimento sustentável”.

A política de crescimento que “temos na Europa não é sustentável, necessita de reformas, de investimentos, e requer também um fortalecimento da procura e da liquidez”, sustentou.

“Temos de conseguir também o Estado social”, que é “um elemento essencial da cultura europeia e, portanto, temos de proteger” e “devemos lutar para que estas políticas mudem”, afirmou o Presidente grego.

“Estamos a defender não só os nossos povos, mas o ideal e o projeto europeu”, concluiu.

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