"Se o meu povo pedir, estamos dispostos a retornar (à Bolívia) para apaziguar a situação", indicou Evo Morales numa conferência de imprensa na Cidade do México.

"Voltaremos mais cedo ou mais tarde", acrescentou Morales que renunciou no domingo ao cargo de Presidente da Bolívia.

Morales, que está sob o regime de asilo político no México desde terça-feira, também apelou a um "diálogo nacional" para resolver a crise boliviana.

O ex-chefe de Estado também refutou a legitimidade da Presidente interina, a senadora da oposição Jeanine Áñez, que está a tentar preencher o vácuo político que se formou desde a sua demissão, considerando a proclamação da senadora um “golpe de Estado”.

A senadora Jeanine Áñez assumiu na terça-feira a Presidência interina da Bolívia, apoiada por um artigo da Constituição boliviana que permite a sucessão em caso de ausência do Presidente, uma vez que o parlamento ainda não se pronunciou sobre a carta de demissão de Evo Morales.

Añez autoproclamou-se Presidente interina numa sessão parlamentar sem quórum e sem a presença dos eleitos do partido de Morales, que têm dois terços dos assentos parlamentares.

Hoje, a embaixadora mexicana na Bolívia, María Teresa Mercado, disse que o Governo mexicano não reconhece Jeanine Áñez como Presidente interina da Bolívia, uma vez que a ordem constitucional foi rompida.

"O Governo do México não reconhece o Governo de Jeanine Áñez. Estamos numa complexa transição política na Bolívia", salientou María Teresa Mercado em entrevista à Radio Fórmula.

"A única coisa que o México quer é que a vontade do povo boliviano seja respeitada e essa vontade deve ser manifestada e exercida pelos canais constitucionais e pacíficos", acrescentou.

A Bolívia atravessa uma crise social e política desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro.

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