Hayden, que também foi diretor da NSA entre 1999 e 2005, declarou que "ficaria extremamente preocupado se Trump Presidente governasse de forma consistente com as declarações que Trump candidato tem expressado ao longo da campanha". As afirmações foram feitas no programa “Real Time with Bill Maher”, no canal HBO, na passada sexta-feira.

Michael Hayden referia-se às declarações de Donald Trump, na Carolina do Sul, no início de fevereiro, em que o candidato republicano disse apoiar o regresso de técnicas de interrogatório como o waterboarding (afogamento simulado) ou outras piores, pois na sua opinião, a “tortura funciona”, quando se pretende extrair informações vitais de terroristas, de acordo com o The Washington Post.

De recordar que Barack Obama terminou com este tipo de prática no seu primeiro mandato na Casa Branca.

Outra declaração polémica de Trump foi feita em dezembro, num debate com os candidatos republicanos, onde defendeu que as famílias dos terroristas deviam ser assassinadas pois, na sua opinião, “isso fará com que as pessoas pensem. Porque eles (os terroristas) não se preocupam muito com as suas vidas, mas eles preocupam-se, acredite-se ou não, com a vida das suas famílias”, disse, citado pelo The Washington Post.

Alguns especialistas em lei criminal vieram relembrar Donald Trump que esta ideia está barrada graças à Convenção de Genebra, assinada em 1949, depois da II Guerra Mundial, por diversos países, incluindo os Estados Unidos.

Este tema foi abordado na entrevista com Michael Hayden, que ao ser questionado se alguma vez tinham pensado nisso, respondeu “Deus, nem pensar”, acrescentando que “se ele (Donald Trump) ordenasse isso enquanto Presidente, as forças armadas norte-americanas recusar-se-iam a atuar”.

A resposta suscitou a surpresa de Bill Maher. “Bem, isso é uma declaração forte”, disse o apresentador. “Não se é obrigado a seguir uma ordem ilegal”, acrescentando que “isso seria uma violação de todas as leis internacionais sobre conflito armado", justificou Michael Hayden.

Bill Maher chegou a brincar com a situação: “Acabou de nos dar uma grande razão para não apoiarmos Trump. Vai haver um golpe de estado no país”. No entanto, Hayden afirmou que não quis dar a entender que os militares provocariam "um golpe de estado".

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