Iniciada em 2013 e com os primeiros resultados a serem revelados agora, a investigação é uma iniciativa da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) com a colaboração do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), e pretende compreender a importância do circuito de exibição não comercial no país.

Em declarações à agência Lusa, as coordenadoras do estudo, Helena Santos e Luísa Barbosa, explicaram que "há uma profunda assimetria socio-territorial" e "muitas fragilidades", quando se fala em oferta de cinema para lá do circuito comercial.

Há fragilidades em termos de recursos financeiros, humanos e de meios técnicos, que "dificultam a criação de uma verdadeira 'rede' de exibição alternativa de cinema", explicam.

Ainda assim, nas primeiras conclusões do estudo, as coordenadoras sublinham que as entidades que integram esse circuito não comercial, como cineclubes e associações culturais, "têm um papel incontornável na oferta de cinema junto de populações que estão profundamente marginalizadas no que diz respeito à acessibilidade cultural".

Os dados totais do estudo serão revelados ao longo de 2018, e resultam de cruzamentos de informações por via de um inquérito a uma amostra de um universo de mais de 550 entidades sem fins lucrativos que exibem cinema fora dos circuitos comerciais.

"Este estudo foca-se essencialmente nas estruturas associativas que ora desenvolvem uma exibição contínua e regular de cinema ao longo do ano, ora realizam festivais competitivos ou mostras de cinema", explicam.

Na investigação verificou-se que muitas das associações integradas nesse circuito não comercial estão pouco estruturadas, baseiam-se em trabalho voluntário e estão dependentes das autarquias na utilização de espaços e meios técnicos e de financiamento público, para manter atividade.

Recorrendo a dados estatísticos do ICA, de 2017, as investigadoras recordam que "a maioria dos concelhos (201 dos 308 concelhos) não tem um único ecrã de cinema" e que "praticamente metade dos ecrãs (49%) estão nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto".

Além de querer traçar um perfil da exibição não comercial, o projeto de investigação tem ainda como objetivo "criar uma plataforma digital que permita a criação de uma rede de exibição alternativa de cinema que reúna, num 'só local', as diversas entidades, as diversas práticas, lógicas de funcionamento e iniciativas".

Helena Santos e Luísa Barbosa entendem que "este setor promove a diversificação da oferta de cinema - através de escolhas mais criteriosas e ditas mais 'alternativas' ou 'independentes', focadas num cinema menos 'mainstream' -, bem diferente da programação comercial".

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