“Temos de pensar que se a segunda maior causa de poluição do mundo é a quantidade de roupa que é deitada fora, temos de começar a lutar um bocadinho contra o ‘fast fashion’”, declarou à Lusa Maria Gambina, a ‘designer’ que encerrou a primeira noite desta edição do Portugal Fashion, com a apresentação da coleção outono/inverno 2019-20, ‘Nancy’.

Tornar as peças especiais pelo ‘design’ ou pela originalidade ou pôr o cliente a identificar-se com a marca é a melhor maneira se investir numa peça eterna em vez de comprar em excesso só para ter mais uma peça no armário, defendeu a criadora da coleção ‘Nancy’, que nasceu “à volta do sky e da neve”, num ambiente de estância da neve e está repleta de ‘tricots’, ‘duffel coats’ (casaco de lã), parca e corta-ventos, mas com silhuetas contemporâneas e com materiais inovadores.

O ‘designer’ Júlio Torcato também defendeu que o consumidor deve apostar em peças com “mais durabilidade” e reutilizáveis e foi esse o seu contributo nesta 44.ª edição do Portugal Fashion, onde apresentou a performance ‘File N.001 – Wake up’, inspirada na defesa dos animais em vias de extinção pela mão do homem.

“As pessoas têm de pensar no que consomem e na durabilidade das peças, devem pensar se conseguem usar mais vezes a peça sem terem que estar sempre a renovar tudo. Nos últimos anos, a moda passou muita essa mensagem e agora podemos falar mais de ‘slow fashion’, de guardar, de voltar a usar”, considera.

Uma das grandes preocupações nas coleções de Júlio Torcato é o consumo em excesso.

“Acho que as pessoas têm de pensar mais na durabilidade das peças, na reutilização. A indústria têxtil tem uma pegada importante, por exemplo, a nível dos tratamentos químicos que depois acabam nos fluxos de água. A maior parte do público vê a moda como uma coisa mais efémera, mais fútil, talvez. Os criadores têm que ter essa preocupação ambientalista”, admitiu.

Nos dez coordenados que apresentou desfilaram materiais técnicos, como um plástico reciclado do mar, alguns lanifícios nacionais, que são extraídos do pelo do animal, e algodões orgânicos. Com os tons verdes, desde o verde seco e verde forte, ao azulão do mar e do golfinho.

‘Maybe We’ll Be Together Again”, do 'designer' Hugo Costa, foi outra das coleções hoje apresentada que apostou na reutilização de materiais.

“Nesta coleção, o nosso ponto de partida foi olhar para o nosso ‘stock’ de materiais. Fomos buscar materiais que já tínhamos dentro de casa, que estavam lá encostados (…). É importante para nós que as peças não criem desperdício e que depois de transformadas tenham uma função. Conseguimos recuperar muitas das matérias-primas”, explicou Hugo Costa, afirmando que 80% das matérias-primas da coleção foi reutilizada.

A coleção de Hugo Costa inspirou-se na queda do Muro de Berlim.

“Achámos que era pertinente, numa altura em que se fala da construção de novos muros, em que se vê barreiras a serem construídas (por causa de um telemóvel, por causa das redes sociais), lembrar às pessoas que o ;uro de Berlim só começou a ser derrubado em 1989”, explicou.

Ao longo dos próximos quatros dias, a 44.ª edição do Portugal Fashion outono/inverno tem previsto 33 desfiles de moda, com a apresentação das novas coleções de designers como Miguel Vieira, Luís Buchinho, Diogo Miranda, Katty Xiomara, Sophia Kah, Nuno Baltazar e Alexandra Moura, entre outros.

O Portugal Fashion – um projeto da responsabilidade da Associação Nacional de Jovens Empresários, desenvolvido em parceria com a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal – é financiado pelo Portugal 2020, no âmbito do Compete 2020.

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