As grades delimitam não só toda a zona frente ao altar do santuário, onde estão as cadeiras para membros do clero que vão assistir às cerimónias, mas também definem o corredor central, por onde vai passar o papamóvel.

As cadeiras a marcar lugar eram já hoje dezenas, algumas abertas e cobertas por uma capa plástica, outras fechadas e encostas ao gradeamento, muitas com cadeados, outras com fitas, mas todas para garantir que os respetivos donos têm o melhor lugar possível para assistirem às cerimónias e conseguirem ver o papa Francisco.

Justino Gomes é uma dessas pessoas. Tem 75 anos, está sozinho em peregrinação pela mulher, pelos filhos e por todos os seus clientes já que, como contou à Lusa, é vendedor e distribui (do Algarve até ao Norte.

“Vim por as cadeiras há dois dias para ver o papa e estar em frente à capelinha [das Aparições]. E até passar, vou estar aqui”, adiantou.

Para passar o dia trouxe “um lanchezinho”, mas já definiu bem a estratégia para não ter de se ausentar muitas vezes o lugar.

“Tenho de comer pouco para não ter vontade de sair daqui e ir a outro lado fazer as necessidades e depois vou aguentar e fazer os possíveis para isso acontecer”, explicou Justino, acrescentando que vai ficar ali a dormir as noites de hoje e de sexta-feira.

Maria das Mercês, 53 anos, é a porta-voz do grupo de seis pessoas da freguesia de Bencatel, Vila Viçosa, que colocaram as várias cadeiras a marcar lugar às 09:30 de hoje.

“Ficam três a guardar as coisas, outras três vão à Santíssima Trindade ou ao santuário, à casa de banho e depois vamo-nos reservando assim, para termos as coisas guardadas”, adiantou.

A peregrina explicou que costumam estar em Fátima nos dias 12 e 13 de maio, mas neste ano fizeram questão de estar logo no dia 11 para conseguirem reservar o melhor lugar.

“Para tentarmos ver o nosso querido papa Francisco. Mesmo se viéssemos amanhã, possivelmente ficaríamos mais atrás e nós gostamos de ficar mais à frente”, apontou.

Mesmo que para isso tenham de dormir duas noites ao relento: “O nosso hotel é de estrelas infinitas, ou seja, ao ar livre”.

“Ficamos aqui as duas noites, os três dias, chova como chova”, garantiu Maria das Mercês.

Aproveitou ainda para criticar o facto de a Basílica da Santíssima Trindade fechar às 02:00 da madrugada, defendendo que nos dias de chuva deveria haver “uma consideração pelos peregrinos e manterem a igreja aberta” para eles lá dormirem.

Fernanda Lavado, 55 anos, está com uma amiga, as duas viajaram desde o Montijo e a preocupação principal foi a de conseguirem marcar lugar.

“Sempre que venho a Fátima assisto aqui. [Se não guardasse lugar] não conseguia ver”, defendeu, explicando que têm comida e sacos-cama para dormirem naquele lugar e não terem de sair dali.

Já Paula Lopes, 53 anos, está em peregrinação em Fátima com o marido, que se desloca em cadeira de rodas, e com o neto adolescente, neste ano, como nos outros, por causa da doença do marido.

“Este ano, como vem o papa, vai estar uma multidão maior. Viemos agradecer a Nossa Senhora as bênçãos que nos fez durante o ano e achamos que aqui é um bom lugar para assistirmos às cerimónias”, adiantou.

Disse também que vão ficar ali a maior parte do tempo, indo apenas dormir ao carro porque o marido não pode pernoitar ao relento.

“Foi para isso que a gente aqui veio e é no santuário que vamos permanecer até sábado”, garantiu.

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