“Não foi possível chegar a um consenso. A greve mantém-se”, disse o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, à saída da reunião com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, que hoje decorreu no final do dia.

Por seu lado, o ministro Tiago Brandão Rodrigues justificou a ausência de acordo com constrangimentos que ultrapassam o âmbito de ação do Ministério da Educação (ME).

“De forma importante pudemos dar passos, mas de forma responsável não foi possível ir mais longe”, disse o ministro.

Questões centrais para a Fenprof, como o descongelamento das carreiras, a vinculação e a aposentação dos docentes ficaram “sem resposta” por parte da tutela, disse Mário Nogueira, que referiu que, no que diz respeito à aposentação, a federação propôs que o compromisso se ficasse pela criação de um grupo de trabalho que pudesse estudar o tema e eventualmente propor medidas, mas que nem isso a equipa de Brandão Rodrigues esteve disponível para aceitar.

“Ficámos por aqui. Temos muita pena. Achamos que o trabalho que foi feito merecia ter tido outro fim. Não foi possível. (...) Fomos até onde podíamos ir e posso dizer que fomos até bem longe. O ME não pôde aceitar, admito que não seja só um problema do ME, que seja um problema do Governo e assim sendo também não podíamos desconvocar esta greve", declarou.

Tiago Brandão Rodrigues reconheceu que há reivindicações sindicais que requerem uma resposta de conjunto do Governo, sobretudo o descongelamento das carreiras e a aposentação.

“Esse é um exercício que está a ser feito globalmente da parte do Governo, que vai muito mais para além das responsabilidades diretas do ME, e o Governo está a fazer um esforço para que efetivamente em conjunto se possam encontrar soluções”, disse o ministro, acrescentando que “é importante” que “se continue a trabalhar neste diálogo com os sindicatos”.

Sem compromissos, Mário Nogueira disse que a luta da Fenprof se vai prolongar no ano letivo de 2017-2018, “eventualmente, até no momento da sua abertura”, estando ainda por decidir que formas pode assumir a continuação da luta sindical.

Governo e Fenprof lembraram mais uma vez os concelhos atingidos pelos incêndios de Pedrógão Grande e Góis, que ainda lavram no centro do país, e que levaram a que o Governo decidisse cancelar as atividades letivas nas escolas da região e adiar provas e exames nacionais dos alunos afetados, com Brandão Rodrigues a reafirmar hoje que nenhum aluno será prejudicado.

Já a Fenprof, “em solidariedade para com as populações das áreas atingidas” anunciou há hoje que no dia da greve não será feito qualquer levantamento de adesões à paralisação nos concelhos atingidos pelos incêndios, e apelou aos professores para que apoiem os alunos nas escolas “naquilo que for necessário fazer”.

O Ministério da Educação garantiu estarem reunidas as condições para que os exames nacionais e as provas de aferição se realizem dentro da "necessária normalidade" com a fixação dos serviços mínimos para a greve dos professores.

FNE e Fenprof anunciaram a greve de professores para 21 de junho, depois de na reunião de 06 de junho não terem conseguido obter do Governo garantias quanto às suas reivindicações.

Para o dia da greve estão agendadas provas de aferição de Matemática e Estudo do Meio do 2.º ano de escolaridade e exames nacionais do 11.º ano às disciplinas de Física e Química A (uma das provas com maior número de inscritos), Geografia A e História da Cultura e das Artes.

[Notícia atualizada às 22:42]

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