O Festival das Artes, em Coimbra, fecha, a partir de hoje, um ciclo de oito anos desde a estreia, em 2009, embora o presidente da direção da iniciativa, José Miguel Júdice, recuse tratar-se do fim da história.

Subordinada ao tema "Pioneiros", a oitava edição do Festival das Artes decorre a partir de hoje, até dia 31, em vários espaços da cidade de Coimbra e, numa nota publicada na página Internet do festival, José Miguel Júdice alega que se encerra um ciclo.

"Mas não é o fim da história", garantiu à agência Lusa o responsável da direção do festival.

"O número 8 é o símbolo do infinito e são os pioneiros que, geração após geração, vão fazendo avançar o mundo e assegurando o futuro da humanidade. Eles são sinais, por isso nos revelam que o infinito é o futuro anunciado", sustenta, na nota, José Miguel Júdice.

Adianta que os promotores do festival foram, eles próprios, pioneiros na primeira edição, em 2009, quando "se lançaram ao caminho de construir do nada um festival de artes que rapidamente se tornou numa referência incontornável da Cultura no verão português".

Nas declarações à agência Lusa, Júdice lembrou que o primeiro Festival das Artes coincidiu com "o início da maior crise de que há memória em Portugal", e que isso se refletiu na redução de apoios ao evento e baixa na publicidade.

"Se soubesse o que sei hoje se calhar não tinha tido coragem. Mas não me passa pela cabeça ter feito diferente, um sportinguista inveterado como eu acredita sempre", brincou.

Segundo José Miguel Júdice, em Portugal, nos dias de hoje, "há grandes e pequenos festivais em todo o lado, surgem como cogumelos", mas quando o Festival das Artes começou "não havia praticamente nenhum".

O também vogal do conselho executivo da Fundação Inês de Castro, promotora do festival, gostava que Coimbra se tornasse numa espécie de capital cultural de verão e que as pessoas se desloquem à cidade "como vão a Arles (França) ou Edimburgo (Escócia)", onde ocorrem festivais culturais que são uma referência a nível europeu.

A 8.ª edição do Festival das Artes começa com o concerto ‘Dois grandes inovadores', no Convento São Francisco (19:00), pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, que interpretará Beethoven e Mozart.

A iniciativa tem na música um dos seus ciclos mais preenchido, mas sem prejuízo de outras áreas, como as artes plásticas ou o cinema.

Diogo Infante vai apresentar no Festival das Artes, em Coimbra, o recital "Palavras que mudam a Humanidade", em que o ator vai reinterpretar discursos do século XX e XXI, que continuam "a marcar o caminho" da humanidade.

O recital, com direção de Natália Luiza, é apresentado no dia 22, no anfiteatro ao ar livre Colina de Camões, na Quinta das Lágrimas, pegando no tema da edição deste ano do festival, 'Pioneiros', para abordar textos que "mudaram as mentalidades", disse à agência Lusa Diogo Infante.

Segundo o ator, em palco serão reinterpretados discursos "que ajudaram [as civilizações] a dar um passo em frente" e a perceber um "pouco melhor a complexidade da sua natureza humana, na sua capacidade de nascer, de sobreviver e também de se autodestruir".

Centrando-se no "peso das palavras", bem como no seu poder "transformador e quase revolucionário", o evento vai abordar discursos de figuras como o antigo presidente da África do Sul Nelson Mandela ou Barack Obama, quando fazia a sua 1.ª campanha para a Casa Branca, em 2008, marcada pelo ‘slogan' "Yes We Can".

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