“Se achas que estás em risco ou és vítima de violência em tua casa, não te culpes a ti próprio/a. Tens o direito a procurar ajuda e proteção”, alerta o antigo internacional português e ex-guarda-redes do FC Porto e FC Barcelona.

A campanha é uma resposta conjunta das três instituições ao recente aumento das denúncias de violência doméstica no momento em que há apelos e foram tomadas medidas para que todos fiquem em casa para prevenir a propagação da covid-19, situação que expôs mulheres e crianças que sofrem abusos a um maior risco.

“Entra em contacto com os teus familiares, amigos ou vizinhos, pede-lhes apoio ou procura a ajuda de um profissional de saúde”, incentiva Baía num dos vídeos, lembrando que “todos têm o direito a viver de forma segura e tranquila, livres de ameaças ou agressões, livres de qualquer tipo de violência”.

Segundo estudos, quase uma em cada três mulheres em todo o mundo sofrem violência física e/ou sexual por parte de um parceiro íntimo ou violência sexual por parte de outros durante a sua vida.

Os mesmos dados indicam que, na maioria dos casos, essa violência é cometida por um parceiro em casa, sendo que até 38% de todos os assassinatos de mulheres são cometidos por um parceiro íntimo.

“Juntamente com a OMS e a Comissão Europeia, estamos a pedir à comunidade do futebol que gere uma conscientização a respeito desta situação intolerável, que ameaça especialmente mulheres e crianças nas suas próprias casas, lugar em que deveriam sentir-se felizes, seguras e protegidas”, justificou o presidente da FIFA, Gianni Infantino.

Também se estima que mil milhões de crianças entre os dois e os 17 anos de idade (ou metade das crianças do mundo) sofreram em 2019 negligência ou violência física, sexual ou emocional.

“Assim como a violência física, sexual ou psicológica não tem espaço no futebol, ela também não tem espaço em casa”, vincou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde.

O médico elogiou a parceria internacional “para chamar atenção para este problema crucial”: “Como as pessoas estão isoladas em casa devido à covid-19, o risco da violência doméstica foi tragicamente agravado”.

A comissária europeia da Inovação, Pesquisa, Cultura, Educação e Juventude, Mariya Gabriel, reforça a mensagem de que “a violência não tem espaço” nas nossas sociedades.

“Os direitos das mulheres são direitos humanos e devem ser protegidos. Com frequência, as mulheres e as crianças abusadas ficam receosas de falar por medo ou vergonha. Essa ‘janela’ para se manifestar e buscar ajuda é ainda mais restrita durante o confinamento. É nossa responsabilidade como sociedade e como instituições pronunciarmo-nos por essas mulheres, dar-lhes confiança e força”, completou.

Os 15 antigos ou atuais futebolistas enviam mensagens para as vítimas, para os agressores e para os governos.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 346 mil mortos e infetou mais de 5,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Quase 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

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