Gonçalo Nunes, copywriter de 30 anos, deslocou-se hoje ao seu local de voto designado, como tantos outros portugueses, para exercer o seu direito de voto. Residente no concelho de Oeiras, dirigiu-se ao espaço que lhe foi atribuído, na freguesia de Carnaxide, mas quando chegou às urnas, foi-lhe dito que já tinha votado.

“Cheguei lá e quando dei a minha identificação, as senhoras basicamente disseram que eu já tinha votado. Eu perguntei como era possível, elas disseram que deve ter havido algum erro. Mostraram-me inclusivamente o suposto voto num envelope azul”, conta por telefone ao SAPO24.

Gonçalo até já se tinha inscrito, em conjunto com a namorada, para ambos votarem antecipadamente, ato que decorreu no passado dia 17. No entanto, “por motivos de força maior”, nenhum conseguiu fazê-lo. Só que se a sua companheira votou hoje sem problemas de maior, ao copywriter foi-lhe negado o mesmo direito.

“Eu apresentei lá queixa, e apresentei à Comissão Nacional de Eleições e agora vim também à polícia fazer uma queixa, mas pronto, não vou conseguir votar", lamenta, adiantando que, depois de expôr o seu caso nas redes sociais, já recebeu mensagens de outras pessoas que tiveram o mesmo problema. O ponto em comum? Também se inscreveram para votar antecipadamente.

“É o que tenho visto em todas as queixas que tenho recebido. Inscreveram-se no voto antecipado, mas como não votaram, tiveram este problema hoje para votar”, revela.

Em resposta ao SAPO24João Tiago Machado, porta-voz da Comissão Nacional das Eleições (CNE) confirma ter recebido “dezenas de queixas”, que serão posteriormente analisadas, relacionadas com casos de pessoas que não conseguiram exercer hoje o seu direito de voto para as eleições presidenciais porque supostamente já teriam votado.

Apesar de não referir diretamente que todos estes casos estão relacionados com pessoas inscritas no voto antecipado, mas que não chegaram a exercê-lo, João Tiago Machado confirmou que as queixas se prendem com pessoas a chegar às urnas e a verem “o seu voto já depositado”.

A Gonçalo não foi dada nenhuma explicação para não poder votar, a não ser “que deve ter sido um erro processual”, mas que “não sabiam bem o que poderá ter acontecido". Ao SAPO24, João Tiago Machado não adianta explicações, dizendo apenas que é “prematuro” fazê-lo neste momento.

O CNE apela a que as pessoas que se vejam confrontadas com uma situação semelhante, que “lavrem o seu protesto no local de voto”. Gonçalo, contudo, diz que saber de casos semelhantes ao seu “em que nem deram hipótese de fazer queixa”.

O jornal Público noticia hoje uma situação semelhante, que ocorreu com Andrea Ribeiro, mulher de 42 a residir na Charneca da Caparica. Também Andrea foi hoje impossibilitada de votar depois de já se ter inscrito para o voto antecipado.

Ao diário, a CNE disse que casos destes não são frequentes, mas que por vezes acontecem. "Em causa poderá estar um “erro na descarga (troca de algarismos do número de identificação civil, nomes semelhantes ou com grafia semelhante, troca de nomes, descarga em linha diferente da devida ou até (possível, mas pouco provavelmente) ‘roubo’ de identidade”, explicou a comissão.

Contudo, se no dia do voto antecipado até teria sido possível reverter a situação, já que envelopes ainda não tinham sido enviados para as urnas de destino, no dia da eleição, "é impossível e proibido – a urna deve estar selada, nenhum boletim deve ter qualquer sinal que permita identificá-lo e o segredo do voto é inviolável”.

Gonçalo diz não acreditar que o seu impedimento de votar “tenha sido premeditado” e deixou um agradecimento “às pessoas a trabalhar nas mesas neste contexto de pandemia e que estão a fazer a democracia acontecer”. “Não é por alguns casos terem acontecido que devemos pôr em causa o trabalho de todos”, defendeu.

[Notícia atualizada às 19:18 - inclui depoimentos feitos ao jornal Público]

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