Qual é o significado da vida? Com o mais dramático confronto eleitoral dos últimos anos à porta - Marine Le Pen e Emmanuel Macron disputam a segunda volta da presidência a 7 de maio -  os franceses bem podem estar à procura do significado disto tudo. Em 2006, o presidente era Jacques Chirac e 44% dos franceses pensavam frequentemente no sentido da vida.

Quem o diz é World Values Survey (WVS), uma rede global de cientistas sociais que estudam a mudança dos valores e o seu impacto na vida política e social. O seu estudo mais recente sobre os franceses é de 2014 e olhando para estes e outros dados, talvez seja possível descobrir uma outra França. A França que fala dela própria.

De um modo geral, com base na análise de 2014 deste instituto, podemos dizer que os franceses dão primazia aos valores de expressão, sobre os de sobrevivência, e aos seculares-racionais, sobre os tradicionais.

Os valores de sobrevivência privilegiam a segurança sobre a liberdade, a não-aceitação da homossexualidade, o afastamento da vida política, a desconfiança perante aqueles que venham de fora e um fraco sentimento de felicidade. No entanto, os franceses valorizam os valores de autoexpressão, que são exatamente o oposto do acima referido.

Os valores tradicionais dão ênfase à religião, ao orgulho nacional, ao respeito pela autoridade, à obediência e ao casamento. Não estando tão afastados destas ideias quanto os suecos, os franceses estão, ainda assim, mais distantes  que os portugueses.

Já os dados do Eurobarómetro mostram que, em 2005, 44% dos franceses tinha esperança na União Europeia. Para comparar, em Portugal havia ligeiramente menos pessoas a sentir essa esperança: 41%. E, enquanto a dos franceses estava a crescer, a dos portugueses caía.

A confiança na União era, em 2005, sentida por 18% dos franceses, mas por muitos mais portugueses, 26%. Já a desconfiança era sentida por 34% dos franceses e 18% dos portugueses. 

Mas a maior diferença entre o sentimento que os dois países sentiam, há doze anos, face à União Europeia estava na ansiedade. 36% dos franceses diziam sentir ansiedade quando pensavam na UE, face a 9% dos portugueses.

Se perguntássemos aos franceses como era a situação em França, quando comparada com a média europeia, há dez anos, 42% dos gauleses diria que estavam "de alguma forma pior" que o resto da comunidade, 28% - com menor desconforto - dizia estar "numa posição melhor" que os restantes países e 2% assumia estar "muito melhor" que os camaradas europeus, número que caiu um ponto percentual em maio de 2013. 

Em 2007, em Portugal, por exemplo, a situação era quase diametralmente oposta. 48% dos portugueses dizia que estávamos numa situação "definitivamente pior" que o resto da comunidade europeia. Só 5% assumia uma situação "ligeiramente melhor" e apenas 1% dizia que estávamos "muito melhor" que o resto da União Europeia. Em 2013, nenhum português considerava estar muito melhor que o resto da União Europeia.

Um relatório publicado em dezembro do ano passado pelo Eurobarómetro mostra que 32% dos franceses inquiridos vê no poder industrial, económico e de comércio o maior trunfo da comunidade europeia. Os portugueses, por seu lado, acham que é o respeito pela democracia, direitos humanos e cumprimento das leis a principal característica da UE.

Quanto aos problemas que assolam a União, 50% dos franceses dizia ser o desemprego (70% dos portugueses dizia o mesmo).

Os franceses têm-se em má conta. Só 67% dos inquiridos diz ter uma visão positiva do país. Estão abaixo da média europeia no que toca a autoavaliação. E estão muito abaixo da forma como os portugueses olham para França. Cá, 79% das pessoas tem uma visão positiva de França.

Estes são apenas alguns números que nos permitem fazer um breve retrato do país que vai a votos este domingo, escolhendo entre a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, e o independente líder do movimento En Marche! Emmanuel Macron.

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