Na sessão internacionalista que decorreu na sexta-feira à noite em Lisboa – e que antecede a Convenção Nacional do BE de hoje e domingo – Fernando Rosas foi o primeiro a usar da palavra para criticar “a nova postura de complacência e de normalização da extrema-direita e de apoio envergonhado ou não ao fascista Bolsonaro” assumidos em Portugal, por exemplo, pelo antigo e pela atual líder do CDS-PP, Paulo Portas e Assunção Cristas.

Na opinião do fundador do BE, isto “evidencia que há uma nova atitude da direita portuguesa, para além da adesão à estratégia predadora do neoliberalismo, a estratégia da aliança potencial com o populismo da extrema-direita”.

“A experiência demonstra que, onde existe a nível nacional uma esquerda que não se rende e que assume e protagoniza sem hesitações a luta de todos e todas que são vítimas da exploração e da discriminação de classe, de género ou de etnia, a extrema-direita enfrenta uma barreira de aço à sua progressão e é isso que se passa no nosso país”, salientou.

Segundo Rosas, “tal como na época dos fascismos, a direita portuguesa desenterrou dos seus próprios escombros arqueológicos uma velha teoria ‘mistificatória'”.

“A responsabilidade da emergência da extrema-direita é da esquerda que se recusa a aceitar as reformas modernizantes do neoliberalismo como se fossem decorrentes de uma realidade da vida”, concretizou.

O também fundador do BE Luís Fazenda seguiu a mesma linha e fez avisos claros sobre a atual situação política internacional.

“A União Europeia, que não contraria as tropelias do ministro do Interior de Itália, expulsando navios e barcaças, mas pretende sancionar a Itália porque projeta um défice de 2,2%, até abaixo do número mágico dos 3% do défice excessivo, é essa a União Europeia? Essa União Europeia é aquela a quem Salvani agradece e até sobe nas sondagens”, criticou.

Para Fazenda, “o que une os Salvini, os Bolsonaro e os Trump é o estado preparatório de repressões alargadas e de militarização do conflito social”, alertando que “aí o choque vai ser duro”.

“Só pode ser travado pela solidariedade progressista e pela unidade popular”, vaticinou.

O dirigente bloquista não esconde que “as esquerdas cometeram muitos erros em cada um dos países que testemunham hoje o assalto ao poder da extrema-direita”, sendo importante analisar esses fatores de perda de apoio popular.

“Mas nada terá pesado mais do que décadas de social-democracia como gestora do capitalismo”, assegurou.

Na opinião de Luís Fazenda, “um facto é sintomático da impreparação” é “a subestimação geral do avanço da extrema-direita”.

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