Em declarações à Lusa no terceiro e último dia da paralisação de três dias dos trabalhadores da Portway, Pedro Figueiredo, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), referiu que a adesão à greve se manteve hoje em cerca de 90% nos aeroportos de Lisboa e do Porto.

No Funchal a adesão à greve registou hoje um “ligeiro aumento” e o mesmo sucedeu em Faro, segundo o dirigente sindical do SINTAC para a Portway, que precisou que nestes dois aeroportos não houve nem estão previstos cancelamentos de voos, havendo sobretudo a registar atrasos.

Sem falar em percentagens, referiu que, no caso de Faro, “se ontem [sábado] em cada 10 trabalhadores elegíveis, oito estavam a trabalhar, hoje estão seis”.

Pedro Figueiredo precisou ainda que os dados de adesão reportados pelo sindicato têm em conta os trabalhadores “elegíveis”, ou seja, descontando “o mais de um terço” que ficou abrangido pelo despacho ministerial que definiu os serviços mínimos e aqueles que trabalham para a empresa através de empresas de trabalho temporário.

Segundo o mesmo responsável, ao longo do dia de hoje, Lisboa registará um total de 82 voos cancelados. No Porto, as informações reunidas pelo sindicato, adiantou, dão conta de “12 voos cancelados e de uma divergência [para outro aeroporto]” até ao meio da manhã.

Perante estes dados, Pedro Figueiredo considera que a “greve foi um sucesso”, mas ressalvou que “os problemas laborais continuam”.

Neste contexto, afirmou que “o futuro deverá passar por novas formas de luta”

“Vamos ver quais, se greves, se outras”, precisou acrescentando porém a disponibilidade do SINTAC para negociar.

“O SINTAC é um dos maiores sindicatos da aviação e tem grande representatividade na Portway e na Vinci [empresa concessionária da ANA — Aeroportos de Portugal] e se a Vinci julga que vamos ficar por aqui, não, não vamos” disse, precisando ser também “evidente” que estão “sempre disponíveis para chegar a acordo”, sem deixar de continuar “a reclamar melhores condições de trabalho”.

O pré-aviso de greve dos trabalhadores da Portway, lançado pelo SINTAC, teve início às 00:00 de sexta-feira, 26 de agosto, e mantém-se até às 24:00 de domingo, 28 de agosto, existindo um despacho ministerial que definiu os serviços mínimos e que não permite que cerca de um terço dos trabalhadores – os de assistência a passageiros de mobilidade reduzida (MyWay) – possa fazer greve.

A greve de três dias, nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Madeira, visa contestar “a política de RH [recursos humanos] assumida ao longo dos últimos anos pela Portway, empresa detida pelo grupo Vinci, de confronto e desvalorização dos trabalhadores por via de consecutivos incumprimentos do Acordo de Empresa, confrontação disciplinar, ausência de atualizações salariais, deturpação das avaliações de desempenho que evitam as progressões salariais e má-fé nas negociações”, indicou o sindicato.

Os trabalhadores da Portway reivindicam o cumprimento do Acordo de Empresa de 2016 e uma avaliação de desempenho que não sirva para evitar progressões, assim como o pagamento de feriados a 100% e atualizações salariais imediatas, que tenham em conta a inflação.

A Lusa questionou a ANA Aeroportos de Portugal acerca do impacto da greve nos voos, e ainda aguarda resposta.

Também contactou a Portway acerca dos números de cancelamentos de voos e de adesão à greve.

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