O segundo dia de greve, que se prolonga até domingo, fica marcado por “uma paralisação quase total dos trabalhadores do setor de carga” da Portway, informou o SINTAC, em comunicado, referindo que a maior adesão foi no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, “com o cancelamento de todos os voos” de carga, seguido do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, “que esteve também praticamente parado”.

“Relativamente ao número de voos comerciais cancelados, contabilizam-se, até às 18:00 do dia hoje, 32 – dos 48 previstos - em Lisboa e 22 no Porto”, indicou o sindicato, acrescentando que o aeroporto do Funchal, na Madeira, registou atrasos de mais de uma hora em alguns dos voos e o cancelamento de um voo de carga.

No aeroporto de Faro, a adesão dos trabalhadores da Portway fez-se sentir “em maior número este sábado, com 50% dos trabalhadores do setor de operações de placa a aderir à greve, um aumento de +10% face ao dia anterior”, segundo dados do SINTAC.

No final da manhã de hoje, Pedro Figueiredo, dirigente do SINTAC, disse à Lusa que o segundo dia de greve na Portway estava a registar uma maior adesão por parte dos trabalhadores.

No âmbito da greve, o SINTAC denunciou a falta de investimento da Portway nas infraestruturas que oferece aos seus trabalhadores, divulgando imagens das instalações “precárias” no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, nomeadamente nos balneários destinados aos funcionários desta empresa.

“Contrariamente ao que vem sido veiculado pela Portway, na pessoa da dra. Rita Reis [diretora de recursos humanos do grupo Portway], o desinvestimento é notório e a precariedade das condições laborais saltam à vista”, reclamou o sindicato, em comunicado, denunciando ainda que todas as comunicações efetuadas ao serviço da empresa são custeadas pelos próprios trabalhadores, sendo “inúmeros os casos de telefones pessoais ao serviço da empresa”.

Remetendo para domingo um balanço da greve, a empresa Portway informou, numa nota enviada à Lusa, que a melhoria das instalações dos trabalhadores no aeroporto de Lisboa “é um projeto já identificado” e que “as obras já estão devidamente licenciadas e autorizadas e vão começar no início de outubro próximo”, acrescentando que será uma intervenção equivalente à que foi feita no aeroporto do Porto, com renovação de balneários e salas de descanso.

“Este projeto está inserido no plano de melhorias que a empresa tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos cinco anos, e que continuou mesmo durante a pandemia”, apontou a Portway.

O pré-aviso de greve dos trabalhadores da Portway, lançado pelo SINTAC, teve início às 00:00 de sexta-feira, 26 de agosto, e mantém-se até às 24:00 de domingo, 28 de agosto, existindo um despacho ministerial que definiu os serviços mínimos e que não permite que cerca de um terço dos trabalhadores - os de assistência a passageiros de mobilidade reduzida (MyWay) - possa fazer greve.

A greve de três dias, nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Madeira, visa contestar "a política de RH [recursos humanos] assumida ao longo dos últimos anos pela Portway, empresa detida pelo grupo Vinci, de confronto e desvalorização dos trabalhadores por via de consecutivos incumprimentos do Acordo de Empresa, confrontação disciplinar, ausência de atualizações salariais, deturpação das avaliações de desempenho que evitam as progressões salariais e má-fé nas negociações", indicou o sindicato.

Os trabalhadores da Portway reivindicam o cumprimento do Acordo de Empresa de 2016 e uma avaliação de desempenho que não sirva para evitar progressões, assim como o pagamento de feriados a 100% e atualizações salariais imediatas, que tenham em conta a inflação.

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