“Infelizmente, os governos não implementaram uma resposta comum a esta ameaça global”, afirmou António Guterres durante uma intervenção — feita online devido à crise sanitária – no Fórum do Prémio Nobel da Paz, em Oslo.

“A resposta tem sido confusa e caótica, com países, regiões e até cidades a competir entre si por bens essenciais e trabalhadores da primeira linha”, disse o responsável da ONU.

O secretário-geral das Nações Unidas não avançou qualquer exemplo específico para sustentar os seus comentários, mas pediu reformas para corrigir as “desigualdades na base das relações mundiais atuais”.

“As nações que triunfaram [na Segunda Guerra Mundial] há mais de sete décadas recusam-se a aceitar as reformas necessárias. A composição e os direitos de voto no Conselho de Segurança das Nações Unidas e nos conselhos de administração do sistema de Bretton Woods são bom exemplo” dessa necessidade, sublinhou.

“Muitos países africanos nem sequer existiam como Estados independentes há 75 anos. Eles merecem ter lugar na mesa global. O mundo em desenvolvimento precisa de ter uma voz muito mais forte no processo de tomada de decisões mundiais”, defendeu Guterres.

O Conselho de Segurança tem um total de 15 membros: cinco são permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, todos com direito de veto – e 10 não permanentes, sendo metade deste grupo renovado anualmente.

Vários atores internacionais já defenderam o alargamento a outros países deste órgão, que pode decidir sobre sanções internacionais e uso de força no mundo, mas esses apelos têm sido ignorados e os “Cinco Grandes” não demonstram qualquer pressa em partilhar os seus privilégios.

Realizado no dia seguinte à entrega do Prémio Nobel da Paz ao Programa Alimentar Mundial, o Fórum de Oslo teve como tema “a cooperação internacional após Covid-19″.

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