Apesar de reconhecer que se trata de um “passo na direção certa”, António Guterres disse que a “Carta de Descarbonização do Petróleo e do Gás”, assinada no Dubai, não aborda a questão fundamental do consumo de combustíveis fósseis, segundo referiu a agência de notícias espanhola EFE.

Cerca de 50 empresas, responsáveis por mais de 40% da produção petrolífera mundial, comprometeram-se, por exemplo, a realizar “operações neutras em termos de carbono” até 2050 e a reduzir as emissões de metano para quase zero.

O metano, um potente gás com efeito de estufa, é um componente primário do gás natural e é responsável por cerca de um terço do aquecimento global.

As empresas petrolíferas também concordaram em adotar uma série de medidas para reduzir as suas emissões.

“A indústria dos combustíveis fósseis está finalmente a começar a acordar, mas as promessas feitas são claramente insuficientes”, alertou Guterres, na sua mensagem para a COP28, citado pela EFE.

Guterres, que se referiu às empresas petrolíferas e de gás como os “gigantes por detrás da crise climática”, referiu também que o acordo não clarifica o caminho para atingir zero emissões até 2050, o que é “absolutamente essencial para garantir a integridade”.

“A ciência é clara: temos de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis num prazo compatível com a limitação do aquecimento global a 1,5 graus”, reiterou, referindo-se a um dos principais objetivos estabelecidos pelo Acordo de Paris de 2015.

Guterres também apresentou um relatório na COP28, produzido pelo Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes e pela Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas, que mostra que mais vidas estão a ser protegidas de fenómenos meteorológicos extremos e dos efeitos perigosos das alterações climáticas, embora o ritmo dos progressos continue a ser insuficiente.

Até agora, 101 países declararam ter um sistema de alerta precoce em vigor, um aumento de seis países em relação ao ano passado e representando uma duplicação da cobertura desde 2015.

No entanto, de acordo com o relatório, metade dos países do mundo ainda não dispõe de sistemas de alerta precoce adequados.

Entre os signatários da carta constam a Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), a companhia petrolífera nacional de Abu Dhabi dirigida pelo presidente da COP28, o sultão Al-Jaber, bem como grandes empresas europeias como a Repsol, a estatal norueguesa Equinor e a francesa TotalEnergies.

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