Se principal slogan do candidato do PT às eleições presidenciais do Brasil - "Haddad é Lula" - lhe permitiu aproximar-se do eleitorado de rendimentos mais baixos do Nordeste, principal colégio eleitoral do PT, este pode também ser o seu maior obstáculo na segunda volta, uma vez que o ex-presidente Lula (2003-2010) também gera forte uma rejeição.

O ex-ministro da Educação (2005-2012) e ex-prefeito de São Paulo (2013-2016), de 55 anos, salvou por pouco o PT de uma derrota histórica, ao conseguir passar à segunda volta com pouco menos de 30% dos votos. Um esforço que, para muitos, só vai prolongar uma agonia que, ao que tudo indica, será consumada a 28 de outubro, se Jair Bolsonaro mantiver o favoritismo da primeira volta.

Depois de confirmado o seu segundo lugar na primeira volta das eleições presidenciais, Haddad prometeu um país "profundamente democrático" se vencer na segunda volta e agradeceu a liderança do seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Queremos unir os democráticos deste país. Queremos um projeto amplo para esse país, que busque de forma incansável a justiça social", disse Haddad, de 55 anos, que tinha 28,9% dos votos válidos contra 46,3% de seu rival, o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL, extrema direita), após apuradas 98,56% das urnas.

"Comportamento tranquilo"

Um ponto marcante da personalidade de Haddad é o autocontrolo face aos ataques de adversários, que alguns confundem com distanciamento.

"Sou  filho do casamento de um comerciante libanês com uma normalista. Aprendi em casa a negociar e conversar, e  tenho um temperamento em  geral tranquilo, mesmo nas  situações mais adversas. As  pessoas confundem isso com  frieza, mas  não é", declarou num artigo publicado em junho de 2017 na revista Piauí.

Também podem prejudicá-lo acusações como a da Procuradoria de São Paulo, que o denunciou em setembro por suposta corrupção em sua gestão na Prefeitura, o que ele nega categoricamente.

Formado em Direito, com mestrado em Economia e doutorado em Filosofia, casado com uma dentista e pai de dois filhos, Haddad chegou ao ministério da Educação em 2005 - uma das pastas das quais Lula se sente mais orgulhoso.

A sua trajetória o colocou na linha de frente do PT, mas nunca deixou a sombra de seu mentor.

"Haddad só falava quando perguntado", afirmou um ex-assessor de Lula à Gazeta do Povo em agosto.

Carreira

Não é a primeira vez que Haddad começa mal uma eleição. Também não era o mais cotado quando se candidatou à prefeitura de São Paulo em 2012, e acabou por ganhar.

Os tempos, ainda assim, eram outros. Os do início do governo de Dilma Rousseff (2011-2016), quando a influência de Lula no meio político era praticamente incontestável.

Quatro anos depois, em 2016, Haddad sofreu uma esmagadora derrota nas urnas logo na primeira volta, e teve que passar a prefeitura de São Paulo para o empresário liberal João Dória.

Muito criticado após as manifestações de 2013, desencadeadas pelo aumento nos preços das passagens, a sua derrota foi outro grave revés para o PT, pouco depois do impeachment de Dilma Rousseff pelo Congresso.

Sempre antecipou, contudo, que voltaria à linha de frente do partido.  "Eu não sou uma pessoa ansiosa, espero as coisas acontecerem para tomar decisões. Eu sou um ser político, no sentido de ser participativo na vida pública, desde os tempos da faculdade", afirmou em dezembro de 2016 ao jornal El País sobre uma possível candidatura nacional.

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