É “difícil imaginar como Hong Kong pode permanecer uma capital financeira se a China tomar o controlo”, declarou a porta-voz da Presidência dos EUA, Kayleigh McEnany.

A porta-voz adiantou que o alerta foi dado pelo próprio Presidente dos EUA, Donald Trump, “descontente” com o projeto da China, que os críticos consideram que privará Hong Kong da sua autonomia.

A Administração Trump já ameaçou retirar o estatuto comercial preferencial a Hong Kong, que passa pelo respeito por liberdades fundamentais.

O Parlamento chinês apresentou na semana passada um projeto de lei sobre “segurança nacional” para Hong Kong, ex-colónia britânica com um estatuto semiautónomo, acordado aquando da retrocessão do território à China, em 1997.

A legislação sinaliza a determinação do governo central da China em assumir maior controlo sobre Hong Kong, após quase um ano de protestos pró-democracia, muitas vezes marcados por confrontos entre manifestantes e a polícia.

Milhares de manifestantes voltaram às ruas de Hong Kong para se opor à legislação, no domingo passado, envolvendo-se em confrontos com a polícia, que disparou gás lacrimogéneo e recorreu a um canhão de água para dispersar a multidão.

Hoje, a líder de Hong Kong garantiu que o projeto de lei não ameaça os direitos civis na região, mas os críticos têm denunciado os perigos do documento para a liberdade de expressão e reunião.

Carrie Lam disse aos jornalistas “não haver necessidade” de a população de Hong Kong se preocupar com a proposta de lei, que deve ser aprovada na quinta-feira, no encerramento da sessão plenária da Assembleia Popular Nacional.

“Hong Kong provou que defende e preserva esses valores”, disse. “Hong Kong precisa dessa legislação para o bem da grande maioria da sua população”, acrescentou.

A declaração sino-britânica de 1984, que serviu para acordar a retrocessão de Hong Kong do Reino Unido para a China, em 1997, estabeleceu a manutenção, por 50 anos, a partir da data de transferência, de uma série de liberdades inexistentes na China continental.

A lei que agora o parlamento de Pequim quer aprovar proíbe “qualquer ato de traição, separação, rebelião, subversão contra o Governo Popular Central, roubo de segredos de Estado, a organização de atividades em Hong Kong por parte de organizações políticas estrangeiras e o estabelecimento de laços com organizações políticas estrangeiras por parte de organizações políticas de Hong Kong”.

Na China continental, os tribunais recorrem frequentemente à lei de segurança nacional, incluindo acusações como “separatismo” ou “subversão do poder do Estado”, para prender dissidentes ou ativistas que desafiam o domínio do Partido Comunista Chinês.

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