Em declarações à agência Lusa, o diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), Luís Pinheiro, afirmou que o “processo de preparação logística” e de divulgação junto dos parceiros desta “nova oferta” está a ser ultimado, esperando que “o arranque efetivo com os primeiros doentes” aconteça no início de janeiro.

“Contamos que o nosso arranque seja até seis doentes e depois, a prazo, passar para 10” e até ao final do ano triplicar esse valor, avançou o diretor do centro que agrega os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, em Lisboa.

Luís Pinheiro explicou que a hospitalização domiciliária visa permitir que “doentes que carecem de cuidados hospitalares, de internamento, pela sua complexidade ou diferenciação possam ter esses cuidados, mas sem estar dentro das paredes do hospital”.

Os cuidados são prestados em casa “com segurança e com qualidade, retirando os riscos associados à permanência no hospital, nomeadamente os riscos de infeções”, argumentou.

Por outro lado, o doente tem maior comodidade porque faz em casa a terapêutica e tem acompanhamento como se estivesse no hospital, com “visitas dos médicos diariamente, ou sempre que necessário, e várias visitas de enfermeiros para avaliação terapêutica”, explicou Luís Pinheiro.

Porém, este modelo não abrange todos os casos. “Não estamos a querer substituir, nem a literatura o preconiza, todos os internamentos, muito pelo contrário”, a hospitalização domiciliária está dirigida e adaptada a doentes que preencham critérios clínicos, geográficos e sociais, sempre com a concordância do doente e da família.

“É essencial que os doentes tenham um apoio permanente em casa de um cuidador (…) e tenham capacidade também de fazerem a gestão do seu dia a dia”, referiu.

Como exemplo de situações que podem ser abrangidas por este modelo, Luís Pinheiro apontou a descompensação de insuficiência cardíaca com menor gravidade, as infeções respiratórias ou urinárias que precisam de tratamento hospitalar ou antibiótico às vezes endovenoso e descompensações respiratórias em doentes que tenha doença crónica.

A criação desta unidade levou a “uma adaptação importante”, porque as equipas são multidisciplinares, contando com médicos, enfermeiros, assistente social, assistente operacional, assistente técnico.

“É uma unidade autónoma, acaba por funcionar como outra unidade da nova instituição e precisa de ter recursos, alguns deles alocados exclusivamente à unidade e outros que trabalham em participação com outras partes do hospital”, justificou.

A Unidade de Hospitalização Domiciliária, que será apresentada na terça-feira na conferência Cuidados Para Além das Fronteiras do Hospital, que assinala os 65 anos do Hospital de Santa Maria, enquadra-se na estratégia nacional definida pelo Ministério da Saúde de “implementar alternativas ao internamento clássico nos hospitais”.

“É realmente uma estratégia nacional, já há 21 outros hospitais no país que iniciaram este processo”, mas a nível de “grandes hospitais, nomeadamente em Lisboa, seremos dos primeiros a iniciar”, sublinhou.

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