Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da autarquia, José Júlio Norte, preferiu não avançar números da área ardida, dizendo estar mais preocupado com as pessoas que ficaram sem casa e sem trabalho.

“São áreas incríveis e eu não queria atirar esses valores para cima da mesa. Estamos a fazer um levantamento genérico, a atuar sobre os situações que oferecem risco e, a partir daí, quero começar a ação”, afirmou o autarca, que hoje à tarde reúne, em Oliveira do Hospital, com o primeiro-ministro, e espera ficar a saber o que pode fazer.

José Júlio Norte disse que houve “um número ainda razoável de famílias desalojadas”, mas que todas as situações já foram resolvidas.

“Está tudo acautelado. Temos apenas uma família que está sob a nossa proteção, o resto está tudo controlado com familiares”, contou.

No que respeita aos prejuízos para a economia do concelho, o autarca falou em “problemas graves”, concretamente na Central de Aproveitamento Energético de Biomassa Florestal Residual, que foi afetada pelas chamas, e na empresa Pellets Power, “que ardeu na totalidade”.

“Era uma empresa que não tinha muitos trabalhadores diretos, teria uns 20 ou 30 dentro da fábrica, mas os indiretos seriam 300 ou mais. Toda a gente da região fornecia para lá matéria-prima”, contou.

Segundo o autarca, “na central ardeu toda a matéria-prima e há de haver algumas zonas que, em função das temperaturas que se desenvolveram, terão sofrido danos colaterais”.

As chamas chegaram também ao parque industrial, tendo afetado, por exemplo, uma fábrica de cimento cola e outra de mármores e uma oficina, acrescentou.

O concelho de Mortágua tinha 80% da sua área coberta por floresta, 85% da qual era de eucaliptos, um cenário que mudou depois dos últimos incêndios.

“O ordenamento há de fazer-se, tudo isso vamos fazer a seguir, porque não são problemas imediatos. Agora estou aqui já com a GNR, no meu gabinete, a fazer o levantamento, e temos gente no terreno a fazer tudo o que é possível num pós-incêndio”, afirmou.

José Júlio Norte destacou o papel da GNR, dos bombeiros, das associações de produtores florestais, das equipas de vigilância florestal e dos populares, frisando que Mortágua “é uma terra de gente dura”.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 37 mortos e 70 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, na primavera, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.

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