"O mais importante é garantir a alimentação adequada aos animais que sobreviveram, já que os pastos e mesmo muitos alimentos armazenados foram destruídos pelo incêndio", disse Capoulas Santos aos jornalistas, à margem de uma conferência promovida, em Coimbra, pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA).

De acordo com o ministro, a Companhia das Lezírias, entidade estatal, disponibilizou cerca de 90 toneladas de palha e fenos, a Confederação de Agricultores de Portugal entregou palha e rações, e oito entidades ligadas à Organização das Indústrias de Alimentos Compostos para Animais cedeu mais de 50 toneladas de rações.

O ministro frisou que os alimentos para os animais estão a ser distribuídos em articulação com as autarquias em cinco postos, um por cada município, em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera (Leiria) e Góis e Pampilhosa da Serra (Coimbra).

O governante anunciou ainda que o ministério da Agricultura decidiu indemnizar os agricultores afetados pelo incêndio, para reposição do potencial produtivo: "Tudo o que sejam máquinas, tratores, reboques, equipamentos, motores de rega que tenham sido destruídos, estábulos, outras instalações agrícolas, pomares, olivais, tudo isso será indemnizado entre 50% e 80% a fundo perdido".

As indemnizações serão disponibilizadas através de um processo de candidaturas, que será aberto "logo que esteja delimitado o perímetro da zona afetada" nos cinco concelhos, adiantou Capoulas Santos.

O ministro da Agricultura anunciou ainda que se encontra "praticamente concluída" a operação de remoção e enterramento de animais mortos na sequência do incêndio, realizada em colaboração com as autarquias e com maquinaria pesada disponibilizada pela empresa Infraestruturas de Portugal.

Embora afirmando desconhecer os números concretos, Capoulas Santos disse que o número de animais que morreram ascenderá a centenas, enquanto os que necessitam de alimento se cifram em alguns milhares.

"Não serão muitos milhares, porque esta era uma zona predominantemente florestal, não era uma zona predominantemente agrícola. [É uma zona] onde há uma agricultura de pequena escala em muitos casos associada à atividade florestal", afirmou.

Dois grandes incêndios deflagraram no sábado na região Centro, provocando 64 mortos e mais de 200 feridos, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais.

Estes incêndios, que deflagraram nos concelhos de Pedrógão Grande e Góis, consumiram um total de cerca de 50 mil hectares de floresta [o equivalente a 50 mil campos de futebol] e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

O fogo que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos.

As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra, mas o fogo foi dado como dominado na quarta-feira à tarde.

O incêndio que teve início no concelho de Góis, no distrito de Coimbra, atingiu também Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais. Ficou dominado na manhã de quinta-feira.

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