No período de declarações políticas, na Assembleia da República, João Cotrim Figueiredo afirmou que o debate orçamental da semana passada, "foi mais um exemplo de como esta casa está cada vez mais tomada por uma visão coletivista da sociedade", em que "as pessoas contam menos do que o Estado".

"O Governo socialista negociou com outros partidos coletivistas a aprovação de um orçamento para um país mais coletivista. A sua política económica põe o Estado à frente das pessoas, a sua política social sujeita as pessoas à dependência do coletivo e impede-as de escolher", acrescentou.

O deputado da IL considerou igualmente que "a crença no indivíduo e na liberdade tem sofrido ataques um pouco por todo o lado", afirmando que "o desprezo pela natureza humana com a crescente submissão do indivíduo a um grupo, seja ele uma classe, uma maioria étnica ou o Estado, tem nesta casa cada vez mais defensores, de ideologias diferentes e, muitas vezes, até opostas".

E apontou críticas às bancadas representadas no parlamento, da esquerda à direita: "o BE e o PCP dão vazão ao seu ódio pelos privados e querem nacionalizar tudo", o Governo e o PS queriam "que cada pessoa fosse obrigada a ter uma certa 'app' no telemóvel", o PAN "quer intrometer-se no que as pessoas comem", o PSD "apoia restrições de horários sem sentido, que estão a levar dezenas de milhares de pessoas da restauração, alojamento e eventos ao desemprego", o CDS "quer drones a vigiar as pessoas nas praias" e o Chega "assume no seu discurso e propostas a discriminação étnica".

"Ao abrigo do estado de emergência, aquilo a que estamos a assistir é à emergência do estado, utilizando o medo que o próprio Estado fomenta para atropelar direitos e para exercer um poder desproporcionado sobre a vida das pessoas", frisou João Cotrim Figueiredo.

O deputado único da IL salientou estar "contra esta visão coletivista", advogando que "é a cada pessoa que cabe decidir e escolher o rumo que quer dar à sua vida".

"Na Iniciativa Liberal não acreditamos em coletivismos, paternalismos ou em messianismos", apontou, garantindo que a IL "sempre será o partido da liberdade, o partido das pessoas e não do coletivo" e defendendo que todos os portugueses merecem um país "que lhes proporcione iguais oportunidades", bem como "poder aproveitar essas oportunidades em liberdade".

Nos pedidos de esclarecimento, a deputada Cecília Meireles, do CDS-PP, rejeitou receber "lições de liberdade e de liberdade individual de rigorosamente ninguém" e apontou que a IL “faria melhor em apreender com CDS do que imaginar que vem agora dar lições depois dos nossos 40 anos”.

"Podemos encontrar concordâncias" em vez de "caricaturar divergências", desafiou ainda.

Também o PS contestou a intervenção do deputado João Cotrim Figueiredo, tendo o deputado Fernando Anastácio criticado as propostas orçamentais da IL, e defendido que o partido, ao nível do IRS, queria "que aqueles que têm grandes rendimentos tivessem uma grande borla fiscal, e os que pagam pouco pagassem mais".

Salientando as diferenças entre os dois partidos, o deputado Fernando Anastácio frisou que “por isso o PS e esta maioria governa e a Iniciativa Liberal tem um mandato na Assembleia da República”.

Na resposta, o deputado da IL disse não ser seu objetivo "dar lições a ninguém", mas sim "chamar a atenção de que há cada vez menos pessoas a defender liberdades individuais", e pediu ao PS para não deturpar as posições dos liberais.

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