Na audição de hoje à tarde de cerca de cinco horas na comissão parlamentar de inquérito ao pagamento de rendas excessivas aos produtores de eletricidade, João Manso Neto foi questionado pelo deputado do BE Jorge Costa sobre se tinha conhecimento dos 'emails' trocados entre Manuel Pinho e a Universidade de Columbia, divulgados em reportagens na semana passada.

"O doutor Manuel Pinho não foi escolhido por nós, foi indicado pela universidade [de Columbia] e quem o meteu no 'loop', de acordo com a documentação que eu conheço, foi de facto a universidade", garantiu, dois dias antes da audição na mesma comissão do antigo ministro da Economia.

Segundo o presidente executivo da EDP Renováveis, a referida universidade "pediu a colaboração à EDP, primeiro, aparentemente, oralmente e depois por escrito" para patrocinar um curso sobre energias renováveis.

"Logo na resposta por escrito eles manifestavam a intenção que o primeiro professor fosse o doutor Manuel Pinho. Oficialmente é assim que sabemos da vontade da Universidade de ter o doutor Manuel Pinho", detalhou, acrescentando que vendo "agora o filme daqui", não vê "nada de estranho".

Manso Neto defendeu que "é lógico que os professores do programa participem na redação do protocolo".

"Eu não vejo onde é que esteja algo de estranho. A iniciativa de convidar doutor Manuel Pinho foi da universidade", insistiu, recordando que "quando a Universidade de Columbia pediu patrocínio à EDP disse que no primeiro período ia ser o doutor Manuel Pinho".

Mais à frente, na terceira ronda da audição, o deputado do PSD Jorge Paulo Oliveira voltou a esta questão do curso, perguntando a Manso Neto se Manuel Pinho tinha categoria para lecionar naquela universidade.

"Fez-me uma pergunta direta sobre o Doutor Manuel Pinho sobre se ele tinha categoria. Acho que sim. Do ponto de vista intelectual é uma pessoa com muito currículo. A gente pode gostar ou não gostar, agora é uma pessoa com currículo", disse.

O administrador da EDP aproveitou esta resposta ao deputado do PSD para enquadrar o patrocínio a este curso.

"A EDP, naquela altura, fez um grande investimento lá fora no Horizon, o segundo ou terceiro produtor do mundo. Os Estados Unidos é um país em que os 'opinion makers' são muito importantes", lembrou, recordando que, àquela época, passar a mensagem de "renováveis como uma fonte de natureza limpa não era a coisa mais comum nos estados unidos".

Segundo Manso Neto, "só se faz opinião quando se trabalha com entidades de primeiro nome".

"Foi a Columbia que nos contactou se estávamos interessados e nós dissemos 'sim senhora'. 300 mil euros [por ano] é dinheiro, mas não é nada do outro mundo", atirou.

O administrador da elétrica fez questão de comparar com o apoio da EDP às faculdades em Portugal, dando o exemplo da Nova por exemplo, para a qual "é muito mais do que isso, 1 milhão e meio".

"Inseria-se nesta presença crescente da EDP nos Estados Unidos", justificou.

Em junho de 2017, a SIC noticiou que a Polícia Judiciária estava a investigar curso sobre energias renováveis na Universidade de Columbia (EUA), onde Manuel Pinho leciona uma cadeira, viabilizado por patrocínios da EDP.

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