"Aqui, na Madeira, também já se faz sentir essas alterações climáticas e há uma previsão da estratégia CLIMAAT - desenvolvimento de metodologias específicas para o estudo da meteorologia e clima nas regiões insulares atlânticas (Açores, Madeira e Canárias) - para o arquipélago que prevê, nos próximos 30 anos, uma diminuição drástica dos recursos hídricos, uma variação da temperatura que poderá atingir os três graus e um fenómeno que passará a ocorrer com muita frequência que são as chamadas ondas de calor e isso irá provocar grandes problemas à atividade agrícola, podendo-se perder não só as produções como até a capacidade de produção dos próprios agro sistemas", afirmou.

Miguel Ângelo Carvalho, coordenador do Banco de Germoplasma ISOPlexis - Unidade de Investigação da Universidade da Madeira, falava na apresentação pública do projeto CASBio, que tem como objetivo caracterizar e monitorizar a agro diversidade a fim de avaliar a sustentabilidade dos agros sistemas nos novos cenários climáticos.

Com base nas condições variáveis dos sítios onde a agricultura na Madeira é praticada [exposição e altitude], o projeto CASBio irá tentar perceber o que vai acontecer ao setor primário regional nos próximos 30 anos.

"Estamos a fazer um estudo dos agros sistemas que se encontram em diferentes locais, com diferentes níveis, já de influência negativa dessas alterações que se preveem", disse.

Para o especialista, culturas como a vinha e a banana, dada a elevação da temperatura, poderão conhecer uma expansão para altitudes onde hoje não podem ser cultivadas.

"A estratégia CLIMAAT indica que as perspetivas de evolução do clima da Madeira poderão ser até ideais para o aumento da área do cultivo da vinha e da banana", reconheceu o investigador.

"Do ponto de vista das temperaturas - continuou - isso poderá ser verdade, poderão ser cultivadas em altitudes mais elevadas, mas não nos podemos esquecer que todas as culturas têm um limite genético à sua produtividade e todas as culturas dependem de uma coisa que se chama dias térmicos ou temperatura acumulada para poder realizar o seu ciclo biológico e produtivo", acrescentou.

Miguel Ângelo Carvalho lembra, contudo, que aquelas culturas e, sobretudo, a banana "têm necessidades hídricas muito grandes e ela já se desenvolve na Madeira em défice hídrico".

O projeto CASBio estuda onze sítios da Madeira e Porto Santo, incidindo sobre a vinha, a banana, o inhame, batata doce, macieiras e o feijão, "produtos que estão na base da dieta alimentar dos madeirenses".

O coordenador do projeto CASBio admite que, daqui a 30 anos, "banana ao pequeno-almoço e vinho Madeira como aperitivo não vai faltar", mas alerta: "mas nós não podemos nos alimentar só disso".

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