Segundo os autores do trabalho, a que a Lusa teve hoje acesso, o conhecimento destas mutações é “uma ferramenta importante para o estudo do casal infértil e para o tratamento da infertilidade”, doença que afeta aproximadamente “um quarto dos casais, sendo que 50% dos casos se devem a causas masculinas”.

“A identificação de causas genéticas de infertilidade masculina poderá ser um primeiro passo para que, no futuro, se possam desenvolver tratamentos baseados em novas tecnologias, tais como a edição do genoma humano, apesar de serem ainda necessários vários passos para garantir a segurança e a eficácia destas novas tecnologias”, afirmam.

Os resultados indicam que “a presença de variantes patogénicas no gene PNLDC1 está associada à ocorrência de infertilidade masculina, nomeadamente em casos de azoospermia não obstrutiva”, explica a investigadora Joana Marques, uma das autoras do artigo publicado no The New England Journal of Medicine.

Em comunicado, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto esclarece que “a equipa de cientistas sequenciou e analisou amostras de ADN e ARN de homens com infertilidade, obtidas a partir de sangue e de biopsia do tecido testicular, e identificou variantes patogénicas do PNLDC1 relacionadas com casos de azoospermia não obstrutiva (ausência total de espermatozoides no sémen)”.

“A expressão do gene PNLDC1, bem como as proteínas associadas às moléculas piRNA (PIWIL1, PIWIL4, MYBL1 e TDRKH), está muito diminuída nas células testiculares destes doentes”, afirmam os autores.

Segundo os cientistas, “o gene PNLDC1 é crucial para o processamento de piRNA, um tipo específico de RNA não codificantes que estão presentes nas células germinativas e que são essenciais para o correto desenvolvimento dos espermatozoides, como foi já demonstrado em modelos animais”.

“Essas variantes são a causa mais provável das falhas na espermatogénese num subgrupo de doentes com infertilidade masculina grave”, referem.

Este trabalho envolveu vários investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Instituto de investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), nomeadamente Joana Marques, Alberto Barros, Filipa Carvalho, Susana Fernandes, tendo sido realizado em colaboração com Alexandra Lopes (i3S), Kristian Almstrup (Universidade de Copenhaga) e Don Conrad (Universidade de Oregon), coordenadores do estudo no âmbito do consórcio internacional GEMINI: Genetics of Male Infertility Initiative.

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