O porta-voz da Agência de Energia Atómica do Irão (AEAI), Behruz Kamalvandi, sublinhou que para “eliminar a suspensão das obrigações do Irão, o 4+1 deve cumprir os seus compromissos”, segundo a agência oficial IRNA.

O acordo nuclear internacional de 2015 foi assinado entre o Irão e os 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China — mais a Alemanha), mas Washington retirou-se unilateralmente do acordo em maio de 2018, restaurando sanções devastadoras para a economia iraniana.

Os europeus, a China e a Rússia mantêm o seu compromisso em relação ao acordo, mas até agora não têm sido capazes de permitir que o Irão beneficie das vantagens económicas com que contava devido às sanções dos Estados Unidos.

O presidente Hassan Rohani fez um ultimato a 8 de maio, um ano depois de Trump ter anunciado a retirada dos EUA do pacto, dando 60 dias aos Estados ainda parte do acordo para que eles o ajudem a contornar as sanções dos Estados Unidos.

“Se eles reconhecerem os nossos direitos, que é a eliminação das sanções, também cumpriremos as nossas obrigações”, explicou Kamalvandi, considerando que a decisão do Irão de suspender a aplicação de alguns compromissos procura “estabelecer um equilíbrio entre as obrigações e os direitos”.

Sobre o prazo do ultimato de Rohani, Kamalvandi assegurou que “não é extensível”, adiantando que os passos programados para depois dessa data, 8 de julho, “serão seguidos de modo preciso” se a Europa não reagir.

O porta-voz anunciou há dois dias que o Irão ultrapassará a partir de 27 de junho o limite das reservas de urânio enriquecido imposto pelo acordo, violando pela primeira vez um dos seus compromissos.

No acordo de Viena a República Islâmica comprometeu-se a aceitar limitações e maior vigilância internacional do seu programa nuclear, que sempre garantiu ser apenas civil, em troca do levantamento das sanções internacionais.

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