A decisão das autoridades marítimas italianas foi anunciada pela organização não-governamental (ONG) francesa SOS Méditerranée, entidade responsável pelo navio humanitário, no qual se encontra a bordo um jornalista da agência France-Presse (AFP).

“Conforme indicado pelas autoridades marítimas, o navio está agora ancorado, fora do porto de Porto Empedocle, tendo sido solicitado à tripulação que aí permanecesse” em quarentena durante duas semanas, anunciou a ONG.

Após 10 dias retidos em alto mar, o grupo de 180 migrantes, pessoas que foram resgatadas durante quatro operações realizadas entre 25 e 30 junho, conseguiu finalmente desembarcar, na segunda-feira à noite, num porto seguro europeu, neste caso no porto siciliano de Porto Empedocle.

O desembarque aconteceu depois de terem sido realizados, no domingo, testes à doença covid-19 a bordo do “Ocean Viking” pelas autoridades italianas.

Os resultados dos testes foram negativos.

Os migrantes, a grande maioria oriundos do Paquistão, Bangladesh, norte de África e da Eritreia, foram transferidos para terra num ‘ferry’ e colocados igualmente em quarentena.

Entre os migrantes resgatados constam 25 menores e uma mulher grávida.

O “Ocean Viking”, que zarpou do porto de Marselha, no sul de França, regressou às operações de resgate no Mediterrâneo em 22 de junho, após ter estado parado durante três meses devido à pandemia do novo coronavírus.

Apesar da ameaça da pandemia da doença covid-19, o fluxo migratório nas várias rotas do Mediterrâneo acabou por nunca parar e com a chegada do verão, e consequentemente melhores condições de navegabilidade, é expectável que as tentativas de travessia para tentar alcançar a Europa continuem a aumentar nas próximas semanas.

Devido em parte aos constrangimentos provocados pela pandemia, os navios das várias ONG envolvidas nos resgates humanitários no Mediterrâneo ficaram parados alguns meses e muitos portos europeus, como foi o caso em Itália e em Malta, foram encerrados.

Mas essa situação não impediu que várias embarcações com migrantes a bordo continuassem a sair em particular da Líbia e da Tunísia e a chegar às costas europeias de forma autónoma.

Nos primeiros seis meses deste ano, as tentativas de atravessar a rota migratória do Mediterrâneo Central (que sai da Argélia, Tunísia e Líbia em direção à Itália e a Malta), a mais perigosa segundo a ONU, aumentaram em 150% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Com o retomar gradual das operações de resgate por navios humanitários, a Itália já está a manifestar alguns sinais de receio perante um possível aumento dos pedidos para acolher migrantes resgatados em alto mar.

Por exemplo, a autarquia de Porto Empedocle pediu, na segunda-feira, que o exército fosse enviado para a localidade para “proteger os cidadãos”, lamentando na mesma ocasião a chegada dos migrantes, argumentando que a Sicília, uma das regiões mais pobres do país (localizada no extremo sul de Itália), tinha sofrido muito com o confinamento imposto por causa da pandemia do novo coronavírus.

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