As autarquias de Manteigas, Mangualde, São Pedro do Sul, Tabuaço e Vale de Cambra admitem ponderar reduções ou mesmo cortes parciais, à noite, se a situação de escassez de água não melhorar. A notícia está a ser avançada pelo Jornal de Notícias.

São dezenas as câmaras com campanhas de sensibilização para a poupança de água e medidas de contenção em curso — como a proibição do uso de água da rede pública para regar jardins, hortas, encher piscinas ou lavar pátios. Um dos exemplos é Murça, que lançou uma campanha de sensibilização para o uso racional e adequado da água e decidiu não reabrir as piscinas municipais descobertas, encerradas aquando do grande incêndio de 17 de julho.

São também várias as localidades a serem já abastecidas por autotanques, e em várias zonas do país. Na região transmontana, cerca de oito mil pessoas de 50 localidades estão a ser abastecidas este verão desta forma. No Alentejo, acontece o mesmo em Aljustrel, Mértola e Moura (no distrito de Beja), Alcácer do Sal e Santiago do Cacém (Setúbal) e Montemor-o-Novo (Évora).

Ontem, em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de São João da Pesqueira admitia mesmo que, se não chover, em meados de setembro não haverá água para consumo humano na Barragem de Ranhados, que abastece mais dois municípios. “A situação é preocupante porque, mesmo com o esforço todo que estamos a fazer, prevê-se que em setembro, se não chover, não teremos água nas torneiras, portanto é uma situação grave”, disse Manuel Cordeiro.

Esta não é uma situação exclusivamente nacional. Aqui ao lado, os governos regionais e municípios espanhóis estão a impor cortes no consumo de água por todo país, que vive a maior seca desde 1981 e tem as reservas de água em 40,4% da capacidade.

Por cá, a quantidade de água voltou a descer em julho nas bacias do Barlavento algarvio, com 11,4%, e do Lima, com 17,4. Desta forma mantêm-se como as que têm o menor volume armazenado, o que sucede desde o final do ano passado.

No último dia do mês de julho e comparativamente ao último dia do mês anterior verificou-se uma descida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas monitorizadas, indicam os dados do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH).

Apenas cinco das 60 albufeiras monitorizadas, apresentavam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 26 disponibilidades inferiores a 40% do volume total.

Só a bacia do Ave superava, no fim de julho, a média de armazenamento no período de referência (1990/91 a 2020/21).

No último dia de julho estavam também com menor disponibilidade de água as bacias do Cávado (36,4%), Mira (37,2%) e Sado (41,1%).

Já as bacias do Mondego (77,8%), Guadiana (66,3%) e Ave (59,2%) eram as que tinham os níveis mais elevados.

A Bacia do Tejo estava a 51,9% da sua capacidade.

A cada bacia hidrográfica pode corresponder mais do que uma albufeira.

No fim de junho, mais de um quarto do território do continente estava em seca extrema (28,4%) e o restante território estava em seca severa (67,9%) e seca moderada (3,7%).

De acordo com o IPMA, existem quatro tipos de seca: meteorológica, agrícola, hidrológica e socioeconómica.

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