“O sistema judicial japonês conta com procedimentos adequados para estabelecer a verdade (…) garantido os direitos humanos básicos”, declarou, em comunicado, Masako Mori, ministra da Justiça japonesa. “Não há espaço para justificar a fuga de um réu que estava em liberdade sob fiança”, condição que já foi revogada, acrescentou.

A ministra confirmou que, a pedido do Japão, a Interpol já emitiu um aviso vermelho para o antigo presidente da Nissan. Os chamados avisos vermelhos são solicitações às agências policiais em todo o mundo para que localizem e detenham provisoriamente um fugitivo procurado.

“O Ministério Público está a conduzir uma investigação com organizações relevantes e eu farei o meu melhor para esclarecer as circunstâncias da fuga”, disse ainda Mori.

Numa fuga imprevisível, o ex-patrão da Renault-Nissan chegou no passado domingo ao Líbano, onde o seu paradeiro exato continua desconhecido.

O Ministério Público de Tóquio confirmou, entretanto, num outro comunicado, que está a conduzir a sua própria investigação.

“[A fuga de Ghosn] é lamentável porque ignorou os procedimentos legais no nosso país, o que equivale a um crime”, disse o procurador-adjunto de Tóquio Takahiro Saito, em comunicado divulgado pela agência noticiosa Kyodo.

Carlos Ghosn, empresário franco-brasileiro de origem libanesa, estava em prisão domiciliária no Japão a aguardar julgamento por, entre outros crimes, evasão fiscal, mas chegou no passado domingo ao Líbano, informação confirmada pelos serviços de segurança libaneses.

Segundo o jornal libanês al-Joumhouriya, Carlos Ghosn terá chegado a Beirute num avião privado proveniente da Turquia.

Uma companhia aérea turca indicou que os seus jatos foram usados ilegalmente na fuga de Ghosn do Japão.

Carlos Ghosn, antigo ‘chairman’ (presidente do conselho de administração) e presidente executivo do grupo Nissan e da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, foi detido em Tóquio em 19 de novembro de 2018 por suspeita de abuso de confiança e evasão fiscal.

O empresário, que esteve detido durante vários meses no Japão, foi, posteriormente, libertado em março de 2019, após o pagamento de uma caução, mas acabou por ser novamente preso, no início de abril, e novamente libertado sob caução e sujeito a condições restritas (prisão domiciliária).

Os advogados e a família de Carlos Ghosn, de 65 anos, têm criticado fortemente as condições da detenção do empresário, bem como a forma como a justiça nipónica tem gerido os procedimentos deste caso.

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