"Queriam calar-nos, não o conseguiram. Fizemos a festa cumprindo as normas sanitárias porque a sua realização é antes de mais uma forma de assegurar a defesa do funcionamento da vida democrática na sua plenitude", disse o líder comunista no púlpito durante o seu discurso, no Palco 25 de Abril, no encerramento da rentrée do PCP.

"Construímos e realizámos a nossa Festa, esta grande Festa e este Comício da solidariedade, da paz, da amizade, da democracia e do socialismo, num quadro de inusitada hostilidade dos grandes interesses económicos e das forças mais reaccionárias e conservadoras, contra a qual moverem uma insidiosa campanha, utilizando os seus poderosos recursos mediático e de intoxicação da opinião pública para a inviabilizar", frisou Jerónimo de Sousa no início da sua intervenção.

A assistir ao discurso, ao contrário do que habitualmente acontece nos comícios, as bandeiras estiveram baixas, visto que a enchente humana está sentada, nas plateias, devidamente distanciada por cadeiras individuais. E, antes do líder, dirigiram-se à multidão o membro da comissão política da direção nacional da Juventude Comunista Portuguesa Afonso Sabença e o membro da comissão política do Comité Central do PCP e diretor do jornal "Avante!" Manuel Rodrigues.

"A dimensão dos problemas exige outra resposta. O PCP está à altura das suas responsabilidades, do seu papel e dos seus compromissos com os interesses dos trabalhadores e do povo. Não vale a pena uns virem agitar com ameaças de crise política. O que se impõe é aproveitar todos os instrumentos para não permitir que os trabalhadores e o povo vejam a sua vida mergulhada numa crise diária", enfatizou Jerónimo de Sousa.

"Não vale a pena sentenciar que o PCP não conta"

Segundo o secretário-geral comunista, "não vale a pena apressarem-se, outros, a sentenciar que o PCP não conta, que estaria de fora das soluções de que o país precisa", pois "se há prova que o PCP já fez é que conta, conta muito e decisivamente, como nenhum outro, para assegurar avanços no interesse das classes e camadas populares".

"As políticas que se avançam ou estão em curso não dão resposta aos problemas do presente, nem aos problemas do futuro do país. Vimos isso no chamado Programa de Estabilização Económica e Social e na proposta do Governo de Orçamento Suplementar que o suportava, onde se revelou, sobretudo, por uma clara opção pelo favorecimento dos interesses do capital para quem se canalizam milhões e milhões de euros", continuou.

O líder comunista referiu que "não há solução para os problemas nacionais nem resposta aos interesses dos trabalhadores e do povo com as opções do Governo PS", tal como acontece como os "projetos reacionários" do PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega.

Perante as dificuldades que o país enfrenta, Jerónimo de Sousa prometeu que o partido "não faltará, como nunca faltou, a nenhuma solução que dê resposta aos problemas, não desperdiçará nenhuma oportunidade para garantir direitos e melhores condições de vida".

Segundo o representante, é no concreto e não em meras palavras de intenções que tem de assentar a avaliação do que precisa ser feito", prometeu.

Jerónimo criticou a utilização do "discurso do medo de que não há alternativas" em tempos de pandemia para cortar postos de trabalho e retirar direitos aos trabalhadores. Isto porque esta apenas veio agravar problemas que já existiam.

O secretário-geral do PCP adiantou também que o partido tem preparadas "muitas iniciativas". Entre elas, avisou que "retomaremos a luta pelo aumento do salário mínimo nacional para 850 euros", assim como a luta pela "eliminação dos cortes salariais associados ao lay-off" e contra a "proibição dos despedimentos de todos os que veem ameaçado o seu emprego".

* Com agências 

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