Esta homenagem evocativa realizou-se na Biblioteca de Alcântara, em Lisboa, situada na antiga rua da Creche, onde uma brigada da PIDE assassinou a tiro José Dias Coelho, em 19 de dezembro de 1961, e que hoje tem o seu nome.

"Recordar José Dias Coelho, além de ser uma merecida homenagem, é, nestes tempos que correm, um vivo alerta e uma vigorosa denúncia daqueles que tudo fazem para apagar da memória do povo os horrores da ditadura fascista e daqueles que reconstruindo a história a querem branquear", afirmou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Jerónimo de Sousa lembrou "o artista e militante revolucionário, funcionário do PCP clandestino", descrevendo-o como um "homem generoso a quem o fascismo ceifou a vida aos 38 anos, que tudo sacrificou, incluindo a sua carreira artística, como escultor, para se dedicar por inteiro à luta de libertação do seu povo e do seu partido".

"José Dias Coelho sabia o alcance da sua decisão de escolher a vida de funcionário clandestino. Sabia o caminho dos grandes perigos que era preciso percorrer, até à liberdade, ou à prisão ou à morte", referiu.

O secretário-geral do PCP enalteceu "a nobreza e a firmeza das suas convicções quando aceita trocar a perspetiva de uma vida artística promissora e a consideração de uma vida cheia de relações sociais pela modesta mas essencial tarefa de pôr de pé uma oficina de falsificação de documentos destinados à defesa dos camaradas clandestinos".

Mais tarde, entrou para a direção do PCP em Lisboa, ficando responsável pelo setor intelectual, e a sua "última tarefa" foi na "preparação da campanha das eleições fascistas de 1961, que a oposição aproveitava para desmascarar a guerra colonial que havia rompido no início desse ano", acrescentou.

Como enquadramento histórico, Jerónimo de Sousa mencionou que em 1960 e 1961 o PCP era "a força impulsionadora de resistência ao fascismo" em Portugal e "sofria mais uma vez as consequências da vaga repressiva que a todo o custo e sem olhar a meio prendia, torturava e matava".

"José Dias Coelho caiu para sempre tecendo armas nesse combate desigual pela liberdade do seu povo, pela democracia, pelo ideal do socialismo. A vida de um revolucionário chegou ao fim, mas não a luta que ele honrou com o seu exemplo de firmeza serena, de convicções e de caráter que nós, com orgulho, queremos guardar para sempre como património da nossa luta coletiva por um Portugal mais livre, mais justo e mais solidário", considerou.

Jerónimo de Sousa discursou perante a irmã do antigo militante e dirigente PCP, Emília Dias Coelho, pintora, com vários quadros atualmente em exposição nesta biblioteca municipal recém-inaugurada.

Antes, houve declamação de poesia e uma atuação musical, em que se ouviu a música de Zeca Afonso "A morte saiu à rua", dedicada a José Dias Coelho.

No final do seu discurso, o secretário-geral do PCP declarou: "Estamos bem aqui, sim, a dar um sentido de homenagem a um revolucionário, a um homem que poderia ter uma vida diferente, promissora, sem dúvida, mas fez a opção de ser comunista, de pertencer ao Partido Comunista. Pagou a vida com isso. Estamos bem aqui nesta homenagem".

Depois, Jerónimo de Sousa e cerca de 60 pessoas que assistiram a esta homenagem desceram parte da rua José Dias Coelho, erguendo bandeiras do PCP, até à placa que assinala o lugar onde o escultor foi morto, onde foi colocada uma coroa de flores.

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