Principal vencedor das eleições legislativas muito disputadas de domingo, Akesson, 43 anos, deputado desde 2010, cultiva a imagem de um sueco "comum".

O mesmo acontece com a linha política que transformou um partido herdeiro de um grupo neonazi, a organização "Bevara Sverige Svensk" (Manter a Suécia Sueca), num movimento nacionalista que tem uma flor como logotipo.

"Quer passar a imagem de uma pessoa comum (...) que cozinha salsichas, viaja para as Ilhas Canárias num voo charter e fala de forma comum", disse à AFP Jonas Hinnfors, professor de Ciências Políticas na Universidade de Gotemburgo. "Como se fosse um vizinho que vive numa área acessível num pequeno povoado", resume.

Akesson nasceu em Solvesborg, localidade de 9.000 habitantes no sul da Suécia, numa família de classe média, com pai empresário e mãe auxiliar de enfermagem.

E foi nesta província rural, onde as casas exibem bandeiras da Suécia e existe uma grande preocupação com a cidade vizinha de Malmo — com grande população migrante — que o SD construiu o seu primeiro reduto.

Akesson deu os primeiros passos na política ainda na adolescência e aderiu ao partido nos anos 1990, depois de passar algum tempo no principal partido da direita sueca, os Moderados.

Em 1998, tornou-se vereador de Solvesborg, Em 2005, passou a liderar o partido de extrema-direita, quando o SD tinha apenas 1% das intenções de voto. Sob o seu comando, a identidade do partido mudou, tanto na forma como no conteúdo.

Em 2006, adota um novo símbolo: uma bela anémona azul com um coração amarelo, as cores da Suécia, em vez de uma tocha, muito mais agressiva. De modo paralelo, o partido tenta estabelecer alguma distância dos pequenos grupos racistas e violentos e insiste numa política de "tolerância zero" contra o racismo.

Para os críticos, tudo é uma questão de gestão de aparências. Em agosto, um relatório do centro de sondagens sueco Ata Pública concluiu que 289 políticos membros dos partidos presentes no Parlamento tiveram comportamento ou atividade de caráter racista ou nazis, sendo a grande maioria (214) do SD.

Apesar das polémicas, o partido regista um grande avanço: 5,7% dos votos e os primeiros deputados no Parlamento em 2010, 12,9% e o posto de terceiro maior partido em 2014, 17,5% dos votos em 2018.

No domingo, de acordo com os resultados provisórios, o SD conquistou 20,7% dos votos e tornou-se no segundo maior partido da Suécia, atrás apenas dos social-democratas.

Com o aumento da imigração, a Suécia recebeu 250 mil requerentes de asilo entre 2014 e 2015, o que significa mais do que qualquer outro país europeu em relação ao tamanho da sua população, de quase 10 milhões de habitantes.

O SD conquistou eleitores conservadores, mas também eleitores social-democratas, em particular homens de classe trabalhadora.

"Acredito que (o nosso sucesso) é explicado pelo facto de que as pessoas consideram que os outros partidos não levam esta situação a sério", afirmou Akesson à AFP em agosto. O partido fez todos os possíveis para suavizar a sua imagem, como outros grupos nacionalistas na Europa, destacam os analistas.

"NÃO como os outros partidos": tem sido esta a frase de campanha do SD em 2022.

Os comentários polémicos acabaram, como quando Akesson chamou aos muçulmanos a "maior ameaça estrangeira desde a Segunda Guerra Mundial".

O SD também desistiu em 2019 de um "Swexit", depois de observar que uma saída do país da União Europeia não tinha apoio entre a opinião pública.

Para Jonas Hinnfors, o SD passou de um partido "que diz não a tudo para um partido (...) que começa a ver onde pode ser mais influente".

Apesar do sucesso, Akesson também mostrou fragilidades: em 2014, admitiu que tinha um vício de jogo online e depois afastou-se temporariamente da política por exaustão. Fã de livros policiais, Akesson é divorciado e tem um filho de oito anos.

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