O presidente do governo autónomo da região espanhola da Catalunha usou o exemplo da “Grã-Bretanha e do Canadá” que, afirmou, conseguiram encontrar fórmulas políticas sobre os independentismos da Escócia e do Quebeque, respetivamente. “Já agora, os independentismos perderam nos dois sítios. É o que nós dizemos a Espanha: a experiência histórica diz que os referendos para a independência perdem-se. Então, façamos um e vejamos que apoio tem”, defendeu Joaquim Torra.

Para o presidente da Generalitat, o “conflito” catalão não vai acabar até que os catalães decidam livremente o seu futuro e insistiu que “esse exercício de ‘autodeterminação’” tem de voltar a realizar-se. “Se realizarmos um referendo e a maioria dos catalães quiser ficar em Espanha apresento a demissão nessa mesma noite”, referiu o presidente da Generalitat, frisando que não receia defender a realização de uma consulta popular.

“Se o medo nos paralisasse e não nos deixasse seguir em frente, eu não teria aceitado o cargo de presidente da Generalitat” afirmou, acrescentando que aguarda com expectativa os resultados das eleições legislativas, que se realizam este domingo.

“Os resultados eleitorais vão dar-nos uma fotografia precisa de onde estamos na Catalunha, apesar de aqui se votar de forma muito diferente nas eleições locais ou para o parlamento autónomo. No domingo vamos ficar a conhecer uma tendência e isso vai ser muito interessante”, diz Joaquim Torra.

Sobre a campanha eleitoral que terminou na sexta-feira, Torra nota que foi “muito curta” e que ficou marcada na Catalunha pelas sentenças e pelo julgamento daqueles que organizaram o que chama "referendo" do dia 01 de outubro de 2017.

“A campanha esteve muito focada na Catalunha porque, infelizmente estar contra a Catalunha dá votos no resto de Espanha. Isso antes só víamos na direita, mas agora ficamos surpreendidos com a deriva do PSOE [socialistas] que acabou por manter as teses mais extremistas e de direita, talvez para ir buscar votos ao Ciudadanos”, considerou.

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