O Pedro, a Mariana, a Andreia e o Luís são quatro jovens estudantes de jornalismo, das várias dezenas que participam no Congresso de Jornalistas, que termina hoje em Lisboa, e que estão na redação improvisada que acompanha o encontro, que não era realizado há quase 20 anos.

“Acho que faltava um congresso como este, porque os problemas que têm sido relatados têm sido discutidos há muitos anos no meio profissional e no meio académico. Valeu a pena dar voz aos problemas que acontecem no jornalismo”, disse Pedro Afflalo, 25 anos, a tirar o mestrado em jornalismo.

Pedro Afflalo vê com “alguma preocupação” o período “bastante difícil” que o jornalismo está a viver.

Um período “onde é preciso encontrar recursos económicos para fazer os projetos vingar, as novas tecnologias, alguma pressão jornalística por causa de problemas como as ‘fake news’, o ‘infotainment’, vejo com alguma preocupação, porque há o risco de o jornalismo se perder um pouco”, afirmou.

Outra noção tinha Mariana Saraiva, 22 anos, também a fazer o mestrado em jornalismo. “Sabia que estava mal, mas não tinha noção que estava tão mal assim”, disse, salientando que o Congresso lhe permitiu perceber o que “aí vem”. Mas, “as expectativas que nos dão não são as melhores”, lamentou. Para Mariana Saraiva, é “estranho” que em Portugal, um país desenvolvido, haja “tanta precariedade e tanta falta de compaixão”.

As mesmas preocupações são partilhadas por Andreia Friaças, 20 anos, que ficou preocupada com o “facto de em cada dez jornalistas sete" não terem estabilidade conjugal, "sete não terem filhos”. “Isso preocupou-me bastante”, salientou a jovem, que no futuro gostava de trabalhar na rádio ou na televisão.

Para Luís Fernandes, 20 anos, a “instabilidade” na profissão “não é novidade”. “Estou preparado para receber essa instabilidade”, disse, sublinhando estar disposto a enfrentar os problemas. “Acho, desde o início, que ser jornalista é ser um herói, lutar contra o que está mal. Acho que, apesar tudo, do atual estado do jornalismo, o nosso papel continua a ser o de fomentar a mudança, o de abrir olhos”, afirmou Luís Fernandes.

Os problemas da profissão não os afastam do desejo de “contar histórias” e o mundo é a sua fronteira.

“Uma pessoa, quando vai para o jornalismo, é para contar uma história e, se não for contada em Portugal, vai ser contada em qualquer outra parte do mundo. Estudei para isto e é isto que quero fazer o resto da minha vida”, disse Mariana Saraiva.

Um sentimento partilhado por Luís Fernandes, que não admite a “possibilidade de não estar no jornalismo”.

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