Num debate no hemiciclo de Estrasburgo sobre o assassinato de Khashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul, Federica Mogherini apontou que “a confirmação da sua morte” pelas autoridades de Riade “é um primeiro passo para a verdade e responsabilização”, mas insistiu que “há muitos detalhes em falta sobre o sucedido” em 02 de outubro.

A Alta Representante da UE para a Política Externa garantiu que a União Europeia não vai limitar-se a “esperar” por clarificações, fazendo depender a sua posição da forma como Riade gerir a investigação.

“Não vamos apenas esperar por mais clareza. Vamos também continuar a agir em conjunto com os nossos parceiros a nível mundial para alcançar essa clareza. A reação da UE a partir de agora dependerá dos próximos passos que serão dados pelas autoridades sauditas”, advertiu a chefe de diplomacia europeia.

Defendendo que “um crime contra um jornalista, em qualquer parte do mundo, é um crime contra a liberdade de expressão, contra a liberdade de informação” e, como tal, contra as democracias, Mogherini voltou a reclamar uma investigação “credível e transparente”, exortando as autoridades sauditas a colaborar com as autoridades turcas, e a não apresentar no final apenas "bodes expiatórios".

“A liderança saudita prometeu reformas ambiciosas para o país. A forma como esta investigação será gerida é um teste muito importante em termos de liberdade de expressão, direitos humanos e Estado de direito para toda a gente na Arábia Saudita”, disse Mogherini.

As autoridades sauditas garantiram hoje que todos os implicados na morte do jornalista Jamal Khashoggi, no consulado da Arábia Saudita em Istambul, serão punidos, independente de quem sejam.

"Foram tomadas medidas para descobrir a verdade e punir as pessoas que falharam nas suas responsabilidades", bem como aquelas "diretamente implicadas" na morte de Jamal Khashoggi, "independente de quem sejam", segundo declarações divulgadas pela agência de notícias oficial (SPA) no final da reunião semanal do governo saudita.

A declaração surge pouco depois de o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ter apelado para o julgamento, na Turquia, dos 18 suspeitos da morte do jornalista que se encontram detidos na Arábia Saudita.

Erdogan, que falava numa sessão no parlamento turco, insistiu no caráter "premeditado" de um "assassínio brutal", contradizendo a versão avançada por Riade, de que se tratou de uma morte acidental.

Um alto responsável dos Estados Unidos, citado sob anonimato pela Associated Press, adiantou, entretanto, que a diretora da CIA, agência de informações norte-americana, Gina Haspel, está na Turquia para analisar o caso.

A visita de Haspel acontece um dia depois de o Presidente Donald Trump se ter manifestado insatisfeito com a explicação avançada pela Arábia Saudita sobre a morte do jornalista.

Jamal Khashoggi, de 60 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 02 de outubro, para obter um documento para se casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto.

O jornalista saudita, que colaborava com o jornal The Washington Post, estava exilado nos Estados Unidos desde 2017 e era um reconhecido crítico do poder em Riade.

No sábado, a Arábia Saudita admitiu que Jamal Khashoggi foi morto nas instalações do consulado saudita em Istambul, depois de, durante vários dias, as autoridades de Riade terem afirmado que saíra vivo do consulado.

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