“Um total de 436 corpos foram exumados. A maioria apresenta sinais de morte violenta e 30 apresentam sinais de tortura”, indicou Oleg Sinegoubov no Telegram.

“Há corpos com uma corda em torno do pescoço, com as mãos atadas, com os membros partidos ou ferimentos de bala. Muitos homens tinham os órgãos genitais amputados”, prosseguiu Sinegoubov, ao referir-se “à prova de terríveis torturas” que, segundo assegurou, foram infligidas à população.

Várias centenas de tumbas assinaladas com uma cruz e uma vala comum foram detetadas em meados de setembro perto da cidade de Izium, que esteve sob ocupação russa durante vários meses antes de ser retomada pelas forças ucranianas.

A polícia ucraniana também assegurou ter descoberto “salas de tortura” na região, incluindo em Izium.

As forças russas foram acusadas de numerosos abusos nos territórios sob o seu controlo na Ucrânia, em particular em Bucha, arredores de Kiev, onde foram descobertos cadáveres de civis após a sua retirada da zona no final de março.

Moscovo negou ter cometido estes crimes e considerou uma “mentira” a descoberta de corpos em Izium.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,4 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

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