O vulcão de Cumbre Vieja entrou em erupção este domingo, provocando violentos espirros de lava e atirando material piroclástico para a zona em redor, em La Palma, uma das ilhas das Canárias. A erupção ocorreu depois de mais de uma semana em que foram registados milhares de sismos na região.

A erupção não causou, à data, vítimas mortais, mas os danos materiais começam a avultar-se devido ao avanço da lava, a escorrer a uma velocidade de 700 metros por hora. Até agora já foram consumidas perto de 100 residências, confirmou o presidente do conselho de La Palma, Mariano Hernández, à radio Cadena Ser, além de zonas de cultivo e infraestruturas.

A situação na zona de La Palma afetada pela erupção "é desoladora", porque "um fluxo de lava com uma altura média de seis metros está literalmente a devorar casas, infraestruturas e culturas a caminho da costa do vale do Aridane", explicou Hernández.

“A lava está a dirigir-se e direção à costa e os danos vão ser materiais. De acordo com os especialistas, há perto de 17 a 20 milhões de metros cúbicos de lava”, adiantou o presidente do governo regional, Ángel Victor Torres, referindo também que já foram emitidos 20.000 toneladas de dióxido de enxofre.

O governo regional das Ilhas Canárias disse, através da rede social Twitter, que não estavam previstas novas evacuações nesta fase, uma vez que os fluxos de lava estão a dirigir-se "em direção ao mar".

Dada a quantidade de material por expelir, e atendendo ao histórico do vulcão, o Instituto de Vulcanologia das Canárias prevê que a erupção possa durar “várias semanas ou alguns meses”. No entanto, Nemesio Peréz, líder do instituto, disse que é pouco provável que haja casos mortais, desde que ninguém se comporte de forma descuidada.

A anterior erupção em La Palma ocorreu em 1971, em Teneguía, no sul da ilha, e durou 24 dias. Nessa altura, um homem morreu quando tentava tirar fotografias.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchéz, cancelou uma visita programada aos EUA e deslocou-se durante esta madrugada para La Palma, sendo que deverá visitar as zonas afetadas ao longo do dia. “Temos todos os recursos e as tropas necessárias, os cidadãos podem estar descansados”, disse, já nas Canárias.

A Unidade Militar de Emergências já destacou 67 efetivos e 30 veículos, mas prevê um reforço ao longo do dia de 180 efetivos e 57 veículos, refere o El País. Já a Guardia Civil mobilizou mais de 120 agentes, de diferentes unidades, para fazer face à situação.

A informação foi dada esta manhã pela ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, numa entrevista na televisão Antena 3, onde acrescentou que a possibilidade de enviar algum tipo de material e pessoal especializado em gases está a ser analisada.

Como medida preventiva, foram cancelados vários voos com origem ou destino em La Gomera (uma outra ilha do arquipélago, perto de La Palma) que a companhia de transportes aéreos Binter tinha previsto para hoje.

Entretanto, António Costa já fez o executivo espanhol saber que Portugal está disponível para auxiliar o país vizinho.

O Cumbre Vieja de La Palma é um dos complexos vulcânicos mais ativos das ilhas Canárias, sendo o responsável por duas das três últimas erupções nas ilhas, o vulcão San Juan (1949) e o Teneguía (1971).

Desde o início da semana a ilha encontrava-se em alerta amarelo devido ao risco de erupção vulcânica na zona (nível 2 de 4).

Desde que há registos históricos — desde a conquista das Canárias no século XV — La Palma foi cenário de sete das 16 erupções vulcânicas registadas no arquipélago.

La Palma, com 85 mil habitantes, é uma das oito ilhas do arquipélago das Canárias. No seu ponto mais próximo com África dista 100 quilómetros de Marrocos.

A ilha espanhola encontra-se a 460 quilómetros da ilha portuguesa da Madeira e 1.428 quilómetros da ilha do Sal (Cabo Verde).

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