A sua aldeia Natal, Mangunde, a 300 quilómetros a sudoeste da cidade da Beira, transfigurou-se hoje para receber milhares de pessoas.

Uma aldeia que até há poucos anos não era servida sequer pela estrada de terra batida que tem hoje foi obrigada a improvisar um parque de estacionamento para dezenas de carros e alguns autocarros.

Um recinto foi montado para a cerimónia religiosa católica, celebrada em português e em ndau, língua local, junto das casas do pai de Dhlakama e de outros familiares.

À família de Dhlakama juntou-se a de André Matsangaissa, primeiro presidente da Renamo, que deixou uma mensagem: que a liderança a ser eleita na Renamo continue com o projeto de reforço da democracia dos dois líderes históricos.

As forças de defesa e segurança de Moçambique, contra as quais Dhlakama lutou de arma na mão, prestaram-lhe hoje a derradeira homenagem com uma salva de espingarda a ecoar pela floresta que envolve a aldeia.

Dhlakama começou a ser sepultado pelas 11:30 (menos uma hora em Lisboa), sempre rodeado por um mar de gente.

Aron Dhlakama, tio do líder da oposição moçambicana, recebeu as mensagens lidas na cerimónia fúnebre e, no final, ainda tentou falar aos jornalistas da surpresa que foi a morte do sobrinho, mas não conseguiu, emocionado.

Maria Ramos, professora do ensino secundário, na província da Zambézia, chorava também, porque via Dhlakama como um “messias”.

Para ela, há que lutar na arena política até haver a paz definitiva.

Ussumane Mussagy, membro da Renamo em Inhambane, queixa-se de uma “dor profunda”, enquanto Álvaro António, membro da Renamo em Mocimboa da Praia, lembra-se da voz tranquila do líder.

“Sempre tinha uma solução”, recorda.

Afonso Dhlakama foi sepultado num funeral oficial decretado pelo Governo, em cumprimento do estatuto de líder da oposição.

O líder da Renamo morreu no dia 03 de maio, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde.

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